19 URBE | # 02/04 | CORES URBANAS pendente da área com a qual se relacio- na – seja moda, mobiliário, etc. Os objetos de design servem, ao street artista, como forma de veiculação interpretativa, cola- borando, muito pontualmente, para a re- plicação de certas linguagens subversivas. Walter Benjamin já previa essa democratização, ainda em meados dos anos de 1930. Democratização, segundo ele, que contribuiu para a perda da aura vinculada ao artefato de arte (BENJAMIN, 1994). 2 Mas, ao que parece, a street art não encara a questão dessa forma. A perspectiva da efemeridade da obra presente no ambiente urba- no auxilia a corroborar esse raciocínio. A diversidade de suportes utilizados também. Ao romper os limites do muro, a street art permite o reconheci- mento de sensibilidades emergentes, e a multiplicação de suportes intensifica a identificação de temáticas que servem para o reconhecimento dessas sensibi- lidades, além de intensificar o diálogo entre interpretações de uma ideia. Para Lucas Ribeiro – proprietário da Galeria Logo (São Paulo) e da Fita Tape (Porto Alegre) e também um dos responsáveis pela exposição Transfer, que levou a street art e a skate art para o interior do Santander Cultural no ano de 2008 –, o street artista gosta de ex- plorar outros suportes. Portanto, o tê- nis, a camiseta, a capa do disco acabam servindo para veicular a interpretação de algo subjetivo a ele (ao artista). Nes- se sentido, é o grau de receptividade do público que acaba apontando para a importância da veiculação dessa in- terpretação. Isto é, auxilia na difusão de uma ideia, constrói uma narrativa: aponta para o desenvolvimento de uma tendência latente no meio social. Porém, é importante compreen- der que isso acontece de modo aleató- rio, ou seja, é uma relação fundamenta- da pela complexidade. Complexidade e Projeto Onde a complexidade relaciona os campos? Num primeiro momento, por meio do projeto em que existem pro- cessos a serem articulados para veicular a interpretação. Novamente, indepen- dente do suporte; e da recepção, ou do usuário, ou do indivíduo. Mas qual o espaço para a aleatoriedade no pro- jeto? Bem, ela pode estar na recepção, mas também está na rede de fatos que se desdobram entre os campos, envol- vendo agentes, esferas e mecanismos que auxiliam a construção do resultado final. E isso é algo que independe do território. Ou seja, esses desdobramen- tos podem ocorrer em qualquer lugar. São Paulo, Nova York, Paris, Porto Alegre: o território urbano é permeado por es- sas ações e interações complexas, que envolvem muitos indivíduos e sensibi- lidades. Muro, parede, objetos e arte- fatos: não há limites para a expressão, principalmente quando o ato transgres- sivo é o princípio ativo da aleatoriedade. Para Alexandro Cravo e Emir Sar- mento, sócios da Mundo Arte Global – que se define como uma produtora de arte – o que vale é deixar uma marca através da expressão, permitindo que Luminária Porongo Skull – Mundo Arte Global Corner Punk – Mundo Arte Global

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