20 URBE | # 02/04 | CORES URBANAS PAULA VISONÁ locidade de configuração de linguagens que permitam uma aproximação das sensações do indivíduo de um conjunto de representações passíveis de comu- nicar e representar algo. O resultado de um ato criativo, constituído como obra, constrói interações, e produz tensões no conjunto de relações e valores dentro das esferas culturais e morais estabelecidas pelos sistemas hegemônicos. Segundo, pelo simples desejo de explicitar uma nova abordagem para algo latente no coletivo. Podemos retomar a perspecti- va de aleatoriedade aqui, pois estamos falando que o novo, então, acontece de modo aleatório. Nesse contexto, o espa- ço urbano tem se constituído como um grande painel de experimentações da subjetivação de indivíduos, construindo canais de diálogo entre artistas e indiví- duos diversos. Parafraseando Maffesoli: essa pers- pectiva também se relaciona a outras formas de produção, sendo, o resulta- do, o cultivo de sensibilidades coletivas, fundamentadas em uma nova estética social. De acordo com o sociólogo, essa nova estética social serve como base para a constituição de relações flui- das entre indivíduos e bens culturais – objetos que sirvam como vetores de agregação – convergindo para uma pre- mente necessidade de sublimação co- letiva que se afirma, muitas vezes, pela multiplicidade de sentidos que podem gerar (MAFFESOLLI, 2005) 3 . uma ampla rede de parceiros (compos- ta, basicamente, por artistas e fornece- dores) ganhem visibilidade com isso e também lucrem. Portanto, encontrem novas formas de estabelecer ganhos dentro do sistema capital. Para tanto, multiplicam-se sobremaneira os locais e, novamente, os suportes – a Mundo AG possui vários projetos de ambientações de espaços, comerciais, urbanos, institu- cionais ou corporativos. Multiplicam-se também as marcas que buscam veicular sua imagem à street art. Por exemplo, a Mundo Arte Global já desenvolveu pro- jetos para importantes marcas, como Opanka, Olimpikus, Nike e Club Social. O fato é que, hoje, associar uma imagem corporativa às linguagens subversivas inerentes à street art apon- ta para uma tendência de comporta- mento de consumo que converge para a aceitação da diversidade. E onde Porto Alegre se encaixa nesse cenário? Como ambiente urbano, Porto Ale- gre também serve de suporte para a expressão da diversidade, possibilitan- do a identificação do imaginário cole- tivo local. Mas como as relações entre interpretações e sensibilidades inde- pendem do território, esse imaginário se expande, conectando-se a outras re- alidades urbanas. Isso porque não exis- tem fronteiras estabelecidas nem para sensibilidades sociais emergentes, nem para a interpretação, muito menos para a recepção, ou uma ideia. Essa dinâmica fundamenta-se em dois pontos elementares: primeiro na ve- Loja de Puta Madre 69 – Buenos Aires, 2011 Loja de Puta Madre 69 – Buenos Aires, 2011
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