21 URBE | # 02/04 | CORES URBANAS Multiplicidade e Identificação de Tendências Bem, se estamos falando sobre multi- plicidade de sentidos, como é possível apontar para uma tendência emergen- te, que funcione como uma narrativa uníssona? Pela convergência que certas interpretações constroem, permitindo o reconhecimento de sensibilidades que as embasem. É preciso, portanto, decompor linguagens para chegar até essas sensibilidades e, a partir disso, en- contrar um viés de conectividade que extrapole a questão territorial. Portanto, sim: é possível identificar tendências a partir de representações presentes em qualquer ambiente urbano. Entretanto, é preciso fugir da pas- teurização dessa prática, como alerta Lu- cas Ribeiro. Conforme o galerista, a atual cultura cool hunter, muitas vezes, dilui o sentido da street art, visando à replica- ção mercadológica de uma linguagem. Isso não significa que o street artista não possa trabalhar para o mercado, diga- mos, massificado. Mas que o profissional que trabalha identificando tendências – portanto, construindo pontes relacio- nais entre sensibilidades, representações e interpretações – precisa conhecer as motivações do artista que viabilizou o reconhecimento dessas dinâmicas. As- sim como acompanhar fenômenos so- ciais através do tempo, visto que sensi- bilidades emergentes se fundamentam na necessidade de transformações, de modo a romper limites hegemônicos. Por que isso? Justamente para ligar mo- tivações artísticas a transformações so- ciais, potencializando o reconhecimen- to do contexto que permitiu a geração de um dado sentido. Ou seja, tendências também são interpretações. Mas o importante é que estas auxiliem tanto na construção de novos sentidos, como no entendimen- to da essência do que fundamenta novos paradigmas sociais, culturais ou estéticos. Isso acontece devido a uma tendência que permite o reconheci- mento de uma condicionante temporal de desenvolvimento de uma sensibi- lidade social. Onde isso nos leva? Por um lado, novamente para a ideia – que acaba funcionando como vínculo pri- mevo interpretativo – por outro, para o desejo individual do novo, da trans- formação, da transgressão, sem levar em conta o campo ou o suporte. Street Art – Berlim, 2011 Loja Platoon – Berlim, 2011 Paula Visoná é mestre em Design pela Universidade do Vale dos Sinos – Unisinos, e graduada em Moda e Estilo pela UCS (Universidade de Caxias do Sul). Atua como consultora de empresas nas áreas de pesquisa de tendências e comportamento de consumo, privilegiando uma abordagem de tendências socioculturais de ciclo longo. É coordenadora dos cursos de Especialização em Design Estratégico e Especialização em Design de Moda, da Escola de Design Unisinos. Na mesma instituição, é professora do cursos de graduação em Design e Bacharel em Moda, além de coordenar o projeto Design Mais. Como acadêmica, apresentou artigos em congressos nacionais e internacionais, focando suas investigações nas relações entre imaginário coletivo, arte, design, transgressão e tendências. notas 1 MAFESOLLI, M. “O tempo das tribos.” 3ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002. 2 BENJAMIN, W. “Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura da cultura.” 7ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. 3 MAFESOLLI, M. “No fundo das aparências.” 3ª ed. Petrópolis: Vozes, 2005.
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