31 URBE | # 02/04 | CORES URBANAS e indígena em versos, com ilustrações de Alexandre Oliveira. Um e-book, par- ceria com a WW Livros, está disponível no site oficial. Saraus, encontros, bate- -papos e encontros costumam estar na programação. CONDIÇÃO HUMANA pequenas multidões no desamparo das horas sumidas pequenos desastres e uma extrema coragem Lau Siqueira 7 Apesar das parcerias e dos apoios empresariais, muitas vezes, falta fôle- go econômico para ir além com tantas propostas, como o Doutores da Poesia , que pretende percorrer os hospitais com injeções poéticas , o que já entusiasmou um Centro de Oncologia. Agora, o pro- jeto está aprovado pela lei Rouanet para captar incentivos fiscais para quem qui- ser associar sua empresa a essa boa ideia. Demanda e inserção teórica Essa aposta na receptividade da multi- dão, emque basta o sujeito cruzar pelo poema para ser atingido por ele, leva- da às últimas consequências, acaba por demandar uma poética, que não se reduz, evidentemente, às dimensões do texto nem ao abandono da compo- sição de um livro, e parece ainda estar emgestação. João Cabral de Melo Neto, na conferência Poesia e composição (1952), problematizou um tema ainda em discussão e aqui relevante: a moder- nidade da poesia relacionada à perda do leitor, “anulando, do momento da composição, a contraparte do autor na relação literária, que é o leitor e sua ne- cessidade”. 8 Além disso, analisa aquele tipo de poeta que busca o mais exclusi- vo de si, pelo balbucio eivado de secreto subjetivismo ou pela autoimposição de barreiras formais cada vez maiores que tornam o seu trabalho incomunicável: “ele se defende do homem e da rua dos homens, pois ele sabe que na lingua- gem comum e na vida em comum essa pequena mitologia privada se dissipará” e “sabendo que poucos serão capazes de entender perfeitamente sua linguagem secreta, ele conta também com aqueles que serão capazes de mal-entendê-la. Isto é, com o leitor ativo, capaz de dedu- zir uma mensagem arbitrária do código que não pode decifrar”. 9 Esse tipo de poeta “apenas dá de si. A outra missão do leitor, no ato literário, a saber, a de colaborar indire- tamente na criação, é desconhecida ou negada. Este poeta não quer receber nada nem compreende que sua riqueza só pode ter origem na realidade. Na sua literatura existe apenas uma metade, Foto: Fernanda Bigio Davoglio Foto: Fernanda Bigio Davoglio Foto: Laís Chaffe confesso que sonhei escrever poemas nas paredes cegas dos grandes edifícios

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