32 URBE | # 02/04 | CORES URBANAS Sidnei Schneider é poeta, contista e tradutor. Publicou os livros de poesia Quichiligangues (Dahmer, 2008), Plano de Navegação (Dahmer, 1999), Versos Singelos-José Martí (SBS, 1997) e lança esse ano Andorinhas e outros enganos (contos). 1º lugar em poesia no Concurso Talentos, UFSM (1995), 1º lugar no Concurso de Contos Caio Fernando Abreu, UFRGS (2003). Membro da Associação Gaúcha de Escritores e participante do Cidade Poema. Sidnei Schneider notas 1 ANJOS, Augusto dos. “Eu.” Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1985. 2 GUTFREIND, Celso. “A gema e o amarelo.” Porto alegre: Tchê!, 1988. 3 SILVESTRIN, Ricardo. “O menos vendido.” São Paulo: Nankin Editorial, 2006. 4 SEBEN, Paulo. “Poemas podres.” Porto Alegre: AMEOP, 2004. 5 BIER, Augusto Franke. “Serenata para uma janela fechada.” Porto Alegre: Nova Roma, 2009. 6 VERISSIMO, Luis Fernando. “Poesia numa hora dessas?!” Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. 7 SIQUEIRA, Lau. “Poesia sem pele.” Porto Alegre: Casa Verde, 2011. 8 MELO NETO, João Cabral de. “Prosa.” Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998, p. 53. 9 Idem, p. 68. 10 Ibidem, pp. 68-69. 11 FRANCHETTI, Paulo. “Leminski e o haikai.” In: A pau a pedra a fogo a pique: dez estudos sobre a obra de Paulo Leminski. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura, 2010. a do criador. A outra metade, indispen- sável a qualquer coisa que se comunica, ele a ignora. Ele se julga a parte essen- cial, a primeira, do ato literário. Se a se- gunda não existe agora, existirá algum dia – e ele se orgulha de escrever para daqui a vinte anos. Mas ele esquece o mais importante. Nessa relação o leitor não é apenas o consumidor. O consu- midor é, aqui, parte ativa”. 10 A questão, ainda em causa na contemporaneidade, teve, como não podia deixar de ser, respostas diversas. Alguns buscaram usufruir das formas populares, modificadas pela ação do poeta culto, como o fez commaestria e alcance o próprio Cabral. Os concretis- tas, de sua parte, quiseram modernizar a poesia de acordo com a sua poética peculiar para aproximá-la do público: ideia abandonada antes mesmo da apresentação do chamado “plano- -piloto”, como observou o poeta e crí- tico Paulo Franchetti. 11 Mario Quintana criou um público leitor de poesia no Rio Grande do Sul, através do longo tempo em que contou com sua coluna diária; contudo, também foi moldado pela experiência e por esse público, atingindo a nem sempre fácil simplici- dade e o bom-humor, ainda que con- tinuasse um poeta essencialmente líri- co. Ferreira Gullar, com passagem pelo concretismo, aproximou-se da litera- tura de cordel e das causas populares, para, em seguida, buscar uma inventi- va espacialização do poema na página derivada de Mallarmè, mantendo na sua poesia e personalidade, durante aquela época, o vínculo político com a ótica popular. Paulo Leminski, fler- tando com o concretismo, procurou superá-lo voltando inclusive à utiliza- ção da rima, porém de modo particu- lar e inventivo. Isso para ficarmos em alguns exemplos, todavia não exata- mente copiáveis, como sabem todos os que criam, pois a poesia brasileira atual precisará encontrar seus próprios caminhos de atingir o público. Alguém poderia, ainda, pergun- tar se Porto Alegre é uma Cidade Poe- ma. Se os poetas poderiam captar po- esia de suas ruas sujas, de sua gente sofrida, de suas misérias; se os artistas da imagem poderiam retirar cores di- ferentes daquele amarelo-desespero descrito por Dyonélio Machado, em Os ratos , entre os edifícios do centro; já que, evidentemente, ninguém costu- ma duvidar da possibilidade da poesia a partir de alegrias e coisas boas que a cidade certamente tem. Existe a poesia das coisas e a poesia escrita, mas esta, a arte das palavras, não admite cer- cas, seu tema é tudo o que há e diz respeito ao humano, motivo de ce- lebração ou crítica. A cidade, por sua vez, e também o país e o mundo onde ela se insere, têm lá seus problemas. O projeto Cidade Poema e os que dele participam querem fazê-la melhor. poetas que participam Adair Philippsen Alexandre Brito Ana Mariano Ana Mello Andréia Laimer Armindo Trevisan Augusto Franke Bier Berenice Sica Lamas Carlos Urbim Celso Gutfreind Christina Dias Denair Guzon Diego Grando Diego Petrarca Dilan Camargo dois Santos dos Santos Edson Cruz Everton Behenck Fabrício Carpinejar Flávio Brasil Fred Maia Jaime Vaz Brasil João Ângelo Salvadori José Antônio Silva José Eduardo Degrazia Laís Chaffe Lau Siqueira Liana Timm Luís Augusto Junges Lopes Luis Fernando Verissimo Luiz Coronel Luiz de Miranda Marcelo Pires Marcelo Spalding Marco de Menezes Maria Carpi Marlon de Almeida Marô Barbieri Nei Duclós Orlando Bona Filho Nilva Ferraro Paco Cac Paula Taitelbaum Paulo Bantancur Paulo Seben Pedro Stiehl Ricardo Portugal Ricardo Silvestrin Ronald Augusto Sandra Santos Sergio Napp Sidnei Schneider Silvestrin Roberto Susana Vernieri Telma Scherer Thomaz Albornoz Neves Walmor Santos

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