37 URBE | # 02/04 | CORES URBANAS significados e novas cores pela presen- ça da performance teatral. A rua impõe assim uma estética. Estética que é, em primeiro lugar, a do ar livre. O ar livre repele a “caixa ótica” e a ilusão naturalista. Mas o teatro de rua, como modalidade particular de teatro ao ar livre, faz nascer uma estilís- tica nova que lhe é peculiar. Segundo Peter Schumann, fundador do Bread and Puppet Theatre, “na rua as pessoas não são sensíveis a um teatro realista; é preciso criar metáforas, fantasias, espe- táculos bruscos, violentos, sem psico- logia; condensar toda uma história em alguns gestos, em algumas palavras; ou então organizar longas paradas, desfiles, cortejos”. Logo nos primeiros espetáculos Peter Schumann percebeu que a figura humana se perdia entre os grandes edifícios nova-iorquinos; tor- nava-se necessário ampliá-la, dar-lhe volume, cor, relevo; e assim nasceram gigantescos bonecos com cinco me- tros ou algumas vezes mais. Um acontecimento que liberta a cidade Quando pensamos na rua, no centro urbano, imaginamos que é preciso criar contraste com esse enorme cenário que é a urbe. O concreto, a predominân- cia do cinza e da fuligem torna todas as construções rapidamente pesadas e escuras. Por isso, torna-se necessário o uso de cores vibrantes, texturas inu- Foto: Rafael Nino A Saga dos Canudos A Exceção e a Regra Foto: Cláudio Etges
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