38 URBE | # 02/04 | CORES URBANAS Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz sitadas e elaboradas, grandes bonecos, alegorias, máscaras, pernas de pau, mo- vimentações de coros, música, canto e dança, que ampliam, desafogam e abrem o cotidiano conturbado e tenso para uma possível experiência poética. Quando essas interferências inusitadas acontecem, é como se a cidade fosse liberta por alguns minutos. A rua é espaço de encontro, de troca, de comunhão. Onde não só o espetáculo importa, mas também, e principalmente, a relação que se esta- belece entre as pessoas. Por essa razão, o teatro de rua deve ter sempre um caráter de acontecimento. Daí o valor de um acontecimento que recupera o lúdico e a tradição; que rompe com o cinzento da ansiedade; que valoriza a rua, seus transeuntes e o próprio artis- ta, trazendo alegria em vez de tensão, cor em vez de violência, fantasia e ima- ginação sem pressa. A dimensão esté- tica da política torna-se, então, muito clara. A abertura para a poesia, o lúdico e a celebração que a encenação na rua proporciona ressensibiliza os sentidos do cidadão comum, habituado à ten- são cotidiana. Apresenta-se a ele uma nova forma de perceber, ver e ouvir a própria cidade, que é vivida coletiva- mente – partilhada entre todos que es- tiverem dispostos a isso, nem que seja por apenas alguns segundos. O teatro de rua, portanto, traz intrínseco na sua manifestação, valores O Amargo Santo da Purificação Foto: Cláudio Etges
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