43 URBE | # 02/04 | CORES URBANAS Essa relação toda com a pintura e os pintores pode ser compreendida a partir de uma entrevista com o artista, realizada no ano de 2001: A pintura (...) tem muita influência em meu trabalho, não só as obras em si, mas também as reflexões dos pin- tores a respeito do que fazem. O que Matisse pensava sobre o que pintava me marcou. E, assim como ele, mui- tos outros. Os pintores conceituam muito acerca do que fazem, sempre conceituaram. Hoje em dia, as artes plásticas se tornaram quase puro conceito. Independentemente disso, desde a época em que o conceito não tinha a importância que tem hoje em dia, sempre gostei de ler as reflexões dos pintores. 6 A pintura, por fim, voltará no disco Longes (2004), tanto na referên- cia a Gauguin , pintor impressionista que surge na canção Noa, Noa , quan- to no modo como Vitor Ramil chegou, na época, a classificar sua própria obra: “Classifico Longes como um dis- co impressionista , de aproximação, de luminosidade .” 7 Mas voltemos para Satolep, a cidade cujo luminoso período ar- quitetônico vai cedendo lugar às sombras da barbárie. notas 4 Sobre o pintor, indico artigo de Paula Ramos: “Carlos Scliar: a poética do tempo”, Aplauso n.º 28, 2001. 5 Vitor Ramil, Pequod. Respectivamente, p. 13, 61, 62. 6 “Vitor Ramil: o calor da Estética do frio”, Agulha, 2001. 7 “Vitor encontra seu tom”, Jornal do Comércio, 19/11/2004. Foto: José Fernando Mello Foto: Jerônimo Gonzales Pelotas – 2011 Pelotas – 2011
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