9 URBE | # 02/04 | CORES URBANAS “Essa festa é para patricinhas”. Enfim, com certeza, você poderá lembrar mo- mentos em que o diagnóstico social das cores foi feito de forma determinis- ta e acabou por inviabilizar um passeio. Mas o que está em jogo nessas afirmações? Não se trata de discutir se estão certas ou equivocadas tais visões da realidade. Até porque, o tal bar pode realmente estar repleto de pessoas x, y ou z. Os estilos existem e as pessoas buscampor afinidade. Por isso, reúnem- -se em espaços afins, não há problema algum nisso! A questão importante nes- te caso é: que realidade criamos quan- do segmentamos as situações como se fossem previsíveis? Acabamos por não dar espaço para nada novo, que possa acontecer na mistura; portanto, desco- nhecido e misterioso. Rapidamente, os espaços ganham rótulos e a partir des- se feito, como bons porto-alegrenses, respeitamos a convenção e reforçamos sua existência a cada nova afirmação. É uma armadilha que morde o próprio rabo, um circuito escravo que não permite novidades, acaba aprisionan- doosujeitoemuma formadeveravida. O psicólogo Alfredo Naffah Neto, em seu livro A psicoterapia em busca de Dionísio (1994), traz questões sobre a alma humana e os seus processos

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