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A terra, como base da cidade, reivindica sua presença após as águas da enchente, reafirmando sua importância sob todas as construções. Sendo este prédio a mais emblemática casa da cidade, concebida para abrigar e cuidar de todas as outras, nada mais justo do que trazer o MARCO ZERO do lado externo para o interior, marcando no piso da galeria principal uma cruz, o cardus e decumanus que, há séculos, simbolizam, de forma ritualística, os eixos principais que demarcam e fundam os lugares. Esta construção reflete na fachada e na planta baixa uma simetria que se assemelha às cavidades de um coração, evocando também a forma da cruz — o “X” que a assinala. DENNISE ISERHARD carrega consigo esse símbolo, tão rico quanto poderoso, ao longo de sua vida, mesmo antes de reconhecê-lo dentro de si. Ainda assim, o ponto central da cruz não é pleno; é um vazio. É nesse espaço que a artista edifica um lugar livre, onde os seus Resíduos do Mundo podem ser acolhidos ou onde algo novo pode surgir — um berço no interior da própria cruz. Tradicionalmente associada à morte, a cruz agora reserva um espaço para que possamos depositar novas possibilidades; em seu cerne, ela nos aguarda. A artista, assim como sua obra, é repleta de vida e sempre tem espaço em seu coração para mais. A cruz, além disso, simboliza o positivo, a soma, e por isso convidamos Dennise especialmente para esta exposição coletiva. RESÍDUOS DO MUNDO Técnica mista com pigmentos, tijolos de vidro e ferro. 20 x 240 x 240 cm 2024
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