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Dentre as exposições que marcaram a construção do Museu de Arte do Paço (MAPA) durante o ano de 2024, Marco Zero se impôs por sua diversidade de olhares em relação à cidade. Dez artistas, cada um com sua técni- ca, e por seus meios de expressão, produziram sensíveis discursos visuais ao comporem a tessitura desta impor- tante mostra que ganhou curadoria de André Venzon. A exposição, que por seu título alude ao ponto basilar da cidade de Porto Alegre, delimitado imediatamente à frente do centenário prédio histórico do Paço Munici- pal, trouxe especial significado, porquanto aconteceu também como uma homenagem ao nascente museu de arte de nossa cidade. Para além desta particulari- dade, logrou também o feito de relembrar (e quem sabe não seria essa uma intenção subjacente?) as destrui- ções produzidas pela severa enchente de maio, mas aqui sob um prisma diverso, o de quem, lembrando um traumático passado, volta o olhar para a frente em busca de um recomeço, pois é mesmo esta a razão de ser do artista: refazer o tempo e restaurar a alma. Se o argumento geral da exposição tende à abordagem das questões urgentes de nossos dias, como a alienação social, o descuido pela Natureza e as consequências daí decorrentes, por não menos traz um discurso de esperança na superação. Em certa medida, foi este o olhar e foi esta a mensagem produzida por cada ar- tista da Marco Zero; ao menos preciso supor isso em cada um deles, e, por reflexo, em cada espectador da expressiva mostra. Foi uma exposição única, planejada para o melhor lugar em que poderia ser apresentada e com um único título possível: Marco Zero. MARCO ZERO E O ROSTO DA CIDADE Paulo C. Amaral Coordenador de Artes Visuais da Secretaria Municipal de Cultura. Diretor do Museu de Arte do Paço.
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