124 Nos cemitérios “monumentais” italianos 2 as catacumbas não eram comu- mente empregadas dentro das galerias, que tinham sepulturas no piso, en- quanto as paredes eram ocupadas por nichos que abrigavam recipientes com cinzas (columbários) e esculturas. Em seu projeto para o São Miguel, Boni conjugou o tradicional e muito pro- curado sistema de catacumbas brasileiro à tipologia monumental italiana, resultando numa configuração que veio determinar seu desenvolvimento futuro. Ao emprego dos antecedentes aliava-se a economia de espaço re- presentada pela disposição das galerias em inicialmente dois pavimentos, que viabilizou comercialmente o empreendimento e permitiu sua posterior implantação em larga escala, além de trazer uma maior democratização desses espaços, tornando acessível o sistema à população em geral. Ao adotar em seu projeto de galerias com catacumbas a linguagem de ins- piração clássica, Boni empregou seus cânones de maneira simples e direta. Suas galerias inspiram-se nas stoas gregas, com a ordem dórica, mais seve- ra, no primeiro piso e a ordem jônica, mais leve, no segundo piso. A presen- ça destes elementos na obra não significou um mero recurso formal, já que a colunata participa da estrutura do volume construído. Tanto as colunas quanto os elementos em x dos guarda-corpos foram exe- cutados em cimento armado, na fábrica do próprio Boni, numa experiên- cia pioneira de pré-fabricação em nosso meio. Além de constituírem-se em 2 Os monumentais italianos apresentam alguns exemplos muito significativos, como o camposanto de Pisa, que juntamente com a torre, a catedral e o batistério formam o famo- so conjunto; o cemitério Staglieno de Gênova e o Monumental de Milão. Cemitério São Miguel e Almas, galerias. Acervo Família Boni, 2022.

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