145 Pode-se ver nas obras de Armando Boni, para citar um exemplo, relações com a arquitetura clássica contida na obra de Giuseppe Sommaruga. E mais: Boni, assim como Sommaruga, transita na noção que remete à tradi- ção, mas com transgressão própria de sentido moderno. Armando Boni, na casa que construiu para a família, na Rua Marquês do Pombal, 1111, em Porto Alegre, não chegou a tanto. Mesmo que partisse de uma simetria mais explícita, é possível, entretanto, considerar algumas re- lações formais/espaciais, como o frontão e a cobertura pavilhonar deste e a regularidade de planta e a utilização do grande hall central. A residência projetada por Boni para sua família é de 1922. Trata-se de casa de dois pavimentos, com programa de necessidades amplo e fachada de composição elaborada. Edificação projetada após a Primeira Guerra, quan- do, em nível local, já há um senso comum em favor de arquitetura mais despojada de elementos decorativos. Estes, todavia, estão presentes, e de um modo a possibilitar relações com o art-nouveau – liberty italiano – dos primeiros anos do Século XX na Itália. Pode-se dizer que esta obra é um exemplar representativo de um contexto cultural de indefinições quanto a uma linguagem e a um modo de fazer arquitetura em nosso meio. No mesmo ano de 1922, em nível nacional, a Semana de Arte Moderna e seus desdobramentos propunham uma reflexão sobre os rumos da cultura brasileira em geral. Em Porto Alegre, como já mencionado anteriormente, voltava a crescer o número de construções, caracterizando um tempo de

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