162 Baseado em lembranças pessoais e em escritos deixados por Benito Boni, meu pai e filho de Armando, vou fazer aqui uma análise mais funcional e descritiva dos interiores da Casa Boni . Acredito que o caráter ‘vivencial’ da casa, seus fluxos e as funções de cada espaço são parte intrínseca da ar- quitetura de qualquer edificação e, principalmente, das moradias. Saliento também que trago estes elementos para análise de forma bem confortável pois, além da participação familiar que tive naquela casa, ali residi por duas ocasiões bem distintas da minha vida: a primeira, até os 6 anos de idade, e a segunda, já como estudante de Arquitetura na década de 1970. Impossível esquecer que, assim como outras tantas, esta casa centenária teve que se adaptar às diferentes épocas, às diferentes idades de seus resi- dentes, ao número deles (chegou a abrigar 14 pessoas), à constante evolu- ção dos equipamentos domésticos, às novas tecnologias e costumes, com inúmeras e significativas adaptações e até reformas que contrastam com o projeto original. Também vale lembrar que a compra do terreno no Bairro Auxiliadora para edificar a residência da família deve ter considerado vários aspectos: a topo- grafia da região (um lugar alto, ventilado e sadio), a distância das margens do Guaíba e suas constantes “altas” (a casa anterior era no Bairro Navegan- tes, muito sujeito às cheias), uma já urbanizada região da cidade mesmo com ocupação ainda incipiente, o que devia trazer como atração um baixo custo nos terrenos (o que talvez explique a possibilidade da aquisição de quase meio quarteirão, depois vendido em parcelas menores).
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