042 Armando em viagem de Caxias do Sul a Antônio Prado. Acervo Família Boni, 1913. Ao sair da nossa cidade, caminha-se no planalto da Sexta Légua, cujas colinas, ubérrimas e onduladas, cobertas de parreirais frondosos e carregados de belos cachos de uva, bemcomo de extensas roças, onde vi- ceja todo o gênero de cultura, representam a tenacidade, à concentração ao trabalho do colono italiano, que já está ligado à nossa terra por laços que jamais poderão ser rompidos. Quando se começa a descortinar o profundo Vale do Piahy, a natureza se ostenta portentosa, num conjunto de quadros belíssimos e ao mesmo tempo horríveis. Rochas alcantiladas, de centenas de metros de al- tura, se acham como que umas sobrepostas às outras, tendo seus píncaros cobertos de frondosos e densos pinheiros, donde se des- prendem cá e acolá, pequenas torrentes de água, que se precipita no abismo. Despenhadeiros profundos, e que não podem deixar de impressionar o viandante mais calmo, ladeiam seguidamente a es- trada, que num zig-zag constante conduz afinal à usina elétrica. Ali, deixando de parte a obra da natureza, torna-se digna de apreço a obra do homem. As instalações hidráulicas, para fornecer força e luz à nossa cidade são grandiosas; honram verdadeiramen- te o engenheiro que as dirigiu, nosso particular amigo dr. Boni, bem como o seu auxiliar Ugo Ferlini. A captação de água é feita a uns trezentos metros acima da cas- cata mediante uma muralha de uns 40 m de comprimento, por 5 de base e uns 3 de altura, em forma de pirâmide truncada. Acima da muralha um extenso lago, com mais de duzentos metros de com- primento e onde o visitante pode se divertir no exercício do remo, percorrendo-o em todos os sentidos e visitando escolhos que saem da sua superfície, como pequenas ilhas desertas.

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