048 que vir embora sem poder ter uma ideia exata do volume do desas- tre, porque o que sobrou está coberto de água. (AB, 01/01/1912) Como podes ver nas fotografias que mandei, tenho uma certa dis- posição para bancar o selvagem, e quando estou meio perdido dentro da floresta encontro uma chama quase infantil, tanto que algumas vezes me abandono a pensamentos desesperados apenas pela ale- gria de me sentir livre, de uma liberdade primitiva, experimentando sentimentos como aqueles que deve sentir um passarinho liberto de- pois de uma longa prisão. (AB, 11/02/1912) Também não será desta vez que mandarei as prometidas fotogra- fias do Pihay. O fotógrafo de Caxias que devia trazer a máquina me prometeu que ele mesmo as faria. Na verdade, veio junto com outras pessoas, mas o pobre diabo tinha um cavalo um pouco agitado e so- mente quando chegou no Pihay notou que o tripé não estava mais amarrado na sela. Em compensação, conseguiu matar uma serpente de dois metros e meio... (AB, 08/04/1912) Estive por quase ummês em vida selvagemno Pihay, e tenho ainda agora um aroma de floresta que torna nauseante o cheiro da cidade. (AB, 10/10/1912) Um operário muito religioso estava com um velho e decomposto li- vro de missa. Pedi emprestado e comecei a ler. Num certo ponto encon- trei: ‘Ave Maria, vida, doçura e esperança minha!’ A frase me agradou tanto que deixei cair o livro e fiquei repetindo essas palavras. E adorme-

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