056 Em finais de 1922, nova mudança e desta vez a definitiva: para a Rua Mar- quês do Pombal, 1111. Essa casa – hoje, Casa Boni – foi construída por meu avô para cumprir uma promessa feita ainda na Itália para sua esposa: logo que possível, eles morariam numa autêntica casa italiana! E como conta- va a nonna com orgulho, num lugar a ser escolhido por ela! E ela escolheu um terreno no Bairro Auxiliadora, bem longe da beira do Guaíba e de suas cheias. À época, aquele era um bairro ainda pouco denso apesar de ter suas origens no final do século XIX e já ser razoavelmente urbanizado, contando com linhas de transporte público, tanto ônibus como bondes. Pelas redon- dezas do terreno selecionado, existiam, de destaque, o casarão de madeira do Hospital Militar e o encantador prédio neogótico da Igreja Auxiliadora, inaugurada em 1919 e demolida no final dos anos 1950 para dar lugar à atual edificação, triste cópia da Madeleine de Paris. Foi nesta casa, na Rua Marquês do Pombal, que nasceram os dois filhos mais jovens: minha mãe Amarilli (31/01/1923) e meu tio Benito (08/08/1924). E lá viveram com o casal, além dos cinco filhos, os irmãos de Armando, Pierino e Ernesto, e a mãe e a irmã de Giuditta, Rosalinda e Beatrice. Depois de casar-se na Itália e voltar a Porto Alegre, meu avô retomou suas atividades profissionais, tanto como professor quanto no seu escritório. De acordo com os Relatórios Anuais da Escola de Engenharia, seguiu dando aulas para o Curso de Engenheiros Eletricistas Mecânicos (1914, 1915 e 1918), nas disciplinas: ‘Construção de ferro em geral e emprego do cimento arma-

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