086 Após cruzar o amplo mar de dentro , onde só se via água, passou a embocadura do Lago Guaíba, costeando morros e planos verdejantes, com margens mais próximas, recortadas por pontas, enseadas com praias de areia. Aos poucos foi avistando seu destino com um casario baixo, o Asilo de Mendicidade, a foz do Riacho, a ponte de pedra, as costas da Matriz e do Palácio do Governo e na última ponta, a cadeia. Ao circundar a península , admirou o arvoredo do Harmonia, as alvas torres das Dores com sua imponente escadaria e algumas chaminés de tijolos. Desembarcou no trapiche do cais onde o antigo edifício da Alfândega dominava a praça e a construção de aterros avançava. A Rua da Praia, pavimentada, concentrava o comércio elegante com suas casas térreas e sobrados alinhados e já ostentava iluminação pública a gás e eletricidade. No promontório, o novo Palácio de Governo ainda nas funda- ções e ao seu lado a antiga Igreja Matriz e sua Capela do Divino. Na praça, cercado por um gradil metálico e olhando para o norte, do alto de seu pedes- tal, o Conde de Porto Alegre, no meio da crescida vegetação. E, imponentes, lado a lado, o São Pedro e a Câmara. Os escritórios comerciais e os bancos se distribuíam na Sete de Setembro e perto dali o Paço Municipal , que ainda não tinha uma década, ostentando suas elegantes linhas ecléticas e seus conjuntos escultóricos. O Mercado P úblico em obras para construção de um segundo andar. E na Praça XV , também em obras, o novo chalé, quase pronto. A cidade se expandia para norte, leste e sul, com os Arraiais de São Ma- nuel, São João, Navegantes, Moinhos de Vento, Menino Deus, Partenon, Teresópolis e Gl óri a, cada qual com seu traçado, vinculados a vias estrutu- Cartão postal da Escola de Artes e Ofícios. Acervo Família Boni, 1912.
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=