Desvenda

011 010 mesmo que parcialmente, os custos de carregar a cultura nas costas. Ao analisarmos esse cenário, imaginamos que seria interessante a existência de um lugar onde o artista pudesse apresentar e compartilhar sua produ- ção, formar seu público e comercializar suas obras, sem precisar participar de complexos editais de seleção. Isso porque, por conta da necessidade de oferecer parâmetros minimamente objetivos de avaliação, muitas vezes, os processos acabam por estimular uma “profissionalização” e padroniza- ção do processo artístico. Elaboramos, então, um projeto de uma feira de arte contemporânea, de participação desburocratizada, na qual o artista poderia, além de expor suas obras, oferecê-las a preços acessíveis diretamente a um público hete- rogêneo. Dois “fatos incontestáveis” minavam essa ideia: 1. O artista contemporâneo não quer esse modelo de comercialização, ele quer que sua obra faça parte do acervo de alguma galeria de arte e ter seu trabalho divulgado em salões e em exposições específicas para que todo o potencial de sua obra possa ser explorado. O artista busca financiamento em seleções públicas, leis de incentivo ou faz uso de re- cursos próprios para dar visibilidade a sua produção, a fim de torná-la objeto “desejável” para o mercado de arte. 2. Não existe um público para esse tipo de arte visual “erudita”. O mercado de arte se restringe a colecionadores que procuram obras em galerias de renome, bienais, salões ou por meio de especialistas contratados. Divergindo desta determinação do senso comum, resolvemos bancar o projeto. Criamos a Desvenda–Feira de Arte Contemporânea e convidamos alguns artistas para participar. Outros ficaram sabendo da proposta pelo

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