0106 Segundo Dia No segundo dia consegui dar cempor cento de foco naminha pintu- ra. Quando estou trabalhando preciso ficar concentrado de forma integral no que estou fazendo. Muitas distrações acabam me im- pedindo de ter um bom desenvolvimento. Preciso consertar meus erros, preciso ficar analisando bastante o desenho para ver quais os próximos passos. Sou demasiado perfeccionista. Às vezes, fico horas apenas olhando para o muro, até chegar a uma conclusão fi- nal de onde vai estar cada objeto, de forma que não fique nada em desarmonia. Em várias ocasiões, um ínfimo detalhe fora do lugar deixa o trabalho pesandomais para um lado do que para o outro; ou uma cor mal colocada compromete toda a estrutura, destoando de todo o resto. Sendo assim, um deslize me faz perder muitas horas a mais, apenas para consertar um pequeno erro. Quando me pedem um esboço prévio, sou obrigado a fazer, porém quase sempre sai bem diferente. Portanto, não tenho o costume de desenhar rascu- nhos antes, preferindo colocar as ideias direto na parede. Isso me faz perder o controle no meio da execução do trabalho. Gosto desse sentimento do inusitado, conhecendo o resultado somente no final. Sinto um frio na barriga, semelhante ao de quando comecei a pin- tar, com medo de estragar tudo. No começo, nas minhas primeiras pinturas feitas de manneira mais profissionais, esboçava antes da ação, mas com amadurecimento comecei a achar mais divertido, desafiador e satisfatório esse processo de criação na hora. Exige muito mais da minha atenção, sendo esse meu momento de relaxa- mento, na qual esqueço os problemas cotidianos. No primeiro dia, não estava conseguindo atenção plena, porém, agora com menos gente, conseguia me focar melhor. Tinha ape- nas dois ajudantes, um para segurar a escada, o outro para pintar algumas cores de preenchimento. Eles falavam apenas em árabe, sendo nossa comunicação apenas através de sinais. Isso era bom, porque daí não precisava me distrair respondendo perguntas so-

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