128 Encontramos Sheila, paramos um pouco para conversar, depois buscando outro tuc tuc para ir ao próximo local. Chegando lá, fomos recepcionados pelos responsáveis pelo espaço onde seria feita a nossa ação. Falamos um pouco de como seria a dinâmica, organizamos os projetores e assentos para a apresentação. Quando todos os(as) participantes chegaram, comecei me apre- sentando. Nessa época meu inglês ainda estava bem fraco, conse- guia me comunicar, mas ainda me faltava vocabulário ou fluidez nas falas. Sheila ia consertando meus vacilos gramaticais. Tenho boas recordações da Farrah Hossam, uma jovem de uns vinte anos, que estava bem empolgada com as atividades. O mo- tivo de ela estar tão animada era por ser de uma família de mu- çulmanos muito ortodoxos. Assim sendo, tinha pouco contato com estrangeiros e era “umbarato” para ela aquelamovimentação. Co- mentou que quando soube da minha ida, buscou meu nome na internet, encontrando uma entrevista feita para “I Support Street Art”, uma agência norte-americana de artistas urbanos. Na entre- vista tinha aquele texto sobre a crise dos trinta e sobre a morte, que já anunciei desde o início e que vou compartilhar em um con- texto adequado. Ela disse ter gostado muito da entrevista e desse texto. Anos depois ela fez a tradução de um escrito que fiz sobre Palestina x Israel. Guardei boas lembranças também de Mahmoud Sami, Latifa e Nada Almergawi, que sempre me acompanham nas redes sociais, mandando mensagens vez que outra. Quando explicamos para Nada a definição em português da palavra “nada”, surgiram mui- tos trocadilhos com o nome dela como “We are going to see no- thing tomorrow” ou “You have nothing to do today”. Falamos que íamos mudar o nome dela para “tudo”. Depois ela até criou um perfil irônico na internet, chamado Arte de Nada. Segui explicando os significados por trás domeu processo criativo, com auxílio de imagens passadas no retroprojetor. Falei também

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