016 Noites sem Dormir Tudo andava como tinha que andar naquele pacato verão de 2018, na Rua Riachuelo, no centro histórico de Porto Alegre. Morava com um amigo de adolescência, o Fedro. Tínhamos uma boa conexão, com conversas filosóficas interessantes – afinal estava diante do personagem que dialogava com Platão. Havíamos tido uma ótima convivência juntos no bairro Belém Novo, na zona sul da cidade. Lugar super preservado, com muita natureza, pouca urbanização e rio com águas próprias para banho. Agora, na fase mais madura, nós dois líamos bastante, fazendo com que, frequentemente, tivés- semos longas conversas sobre cultura e política. Mas, por ummoti- vo específico, há diversos dias eu estava apreensivo, com medo, e dormir era constantemente uma grande dificuldade Minha estrutura parecia a mais tranquila possível nesse momento: tinha boas relações, situação financeira estável, viajava com frequ- ência, era independente, exercia a profissão dosmeus sonhos. Tudo andava bem. Porém, havia recebido um correio eletrônico que se- ria um divisor de águas no decorrer de minha trajetória. Estava na linha tênue entre seguir desfrutando dos prazeres que tinha ou me atirar em uma louca aventura onde tudo poderia dar errado. Não descansava porque passava horas a fio pensando se era uma boa ideia aceitar o que dizia em um email, envolvendo, inclusive, mi- nha própria vida. Vou recapitular essa história desde o começo. Certa vez me man- daram uma inscrição para enviar pinturas para uma ação que le- vava arte e cultura a jovens refugiados. A arrecadação das vendas iria reverter integralmente para o projeto. Enviei e aceitaram. Um amigo londrino, Benedict Hunter, comprou. Fui ao correio para mandar o trabalho para a sua casa, em Londres, na Inglaterra. O preço saiu um pouco caro, mas paguei com intuito de ser ressar- cido depois. Na hora de conversar sobre isso com os organizadores,

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