019 continuar na minha zona de conforto. Seria aquilo um sinal para não ir? Os preços dos aviões de última hora já estavam absurda- mente caros. Foram outras noites sem dormir direito, pensando qual atitude to- mar. Não comentava com ninguém sobre a possibilidade de entrar em um país em guerra. Não queria começar a receber comentários que me colocassem em uma posição de dúvidas quanto ao que eu deveria fazer. Era uma decisão extremamente difícil. Era muito ar- riscado, mas era muito tentador. Uma responsabilidade e tanto! Os ventos que me trouxeram até aqui poderiam me levar mais adian- te. Poderiam também se tornar um grande furacão descontrolado. Poderiam continuar soprando uma brisa leve, às vezes monótona, sob o meu ponto de vista. Poderiam se transformar em um deserto de decepção. Poderiam ser uma grande fonte de satisfação. Eu que- ria viver. Comprei as passagens. Viver é Melhor que Sonhar O itinerário tinha sido reformulado. Agora sem Tailândia, seria Egito, Líbano, Síria e Índia. Não estava nem um pouco tranquilo. Fora a Síria, havia outros aspectos inquietantes. O Egito passava por uma ditadura severa comAbdul Fattah Khalil al-Sisi, commui- ta repressão. O país, quase em sua maioria maometana, tem leis muito rígidas em relação ao Alcorão, livro sagrado do Islã. Qual- quer assunto polêmico, deslize ou descuido pode levar a prisão e até pena de morte. Lembro-me de fazer contato com Nofal, um amigo artista egíp- cio, com quem estava trocando mensagens. Do nada ele parou de me responder. Na sequência, quando já estava no Cairo, consegui encontrá-lo. Ele comentou ter ficado receoso pela possibilidade de eu ser um espião do governo. No Líbano, seguido acontecem
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