052 Entretanto, os desertos estão quase intactos do poder degenera- tivo de nossas mãos – assim como os planetas há mil anos luz. Talvez a natureza tenha inventado essas regiões para estabelecer ali seus limites. Talvez um dia a tecnologia consiga vencer o de- serto, como fizeram em Dubai, mas a natureza sempre encontra suas maneiras de frear as ambições. Penso: No momento em que os seres humanos realmente passarem de todos os limites, serão enviado os glóbulos brancos da Terra para dizimar essa raça de malfeitores. Algo que costumo refletir é que o ser humano conse- guiu a façanha de ser a espécie mais inteligente e mais burra ao mesmo tempo. Às vezes fico me perguntando como podemos ter a capacidade de criação da arte e ao mesmo tempo a capacidade de criação da guerra. A beleza da arte e a tristeza da guerra Bombas atômicas emHiroshima e Nagasaki, vazamento demercú- rio em Minamata no Japão, conflitos entre hindus e muçulmanos no Paquistão, Chernobyl na Ucrânia, Stalin na Rússia, Napoleão na França, nazismo na Alemanha, fascismo na Itália, franquismo na Espanha, chacinas em Ruanda, na Etiópia, no Congo, no Quênia, na Somália, no Sudão, matança entre Israel e Palestina na Faixa de Gaza, Guerra da Síria, Guerra do Líbano, Guerra do Iêmen, Pi- nochet no Chile, ditaduras na América, golpe de 1964 no Brasil, 11 de setembro nos Estados Unidos, retaliação no Iraque, Guerra do Vietnã, ataque japonês a base americana Pearl Harbor. Os comba- tes são cíclicos e destroem tudo ao seu entorno. Quantos traumas envolvidos; quanto passado aterrorizado e quantos futuros dila- cerados. As lágrimas de alguém deveriam secar no sol ao invés de derramarem incessantes pela desolação de nosso destino. É realmente incrível esse fenômeno: os mesmos átomos que nos fazem ter o poder de criação da beleza na arte, nos fazem ter po-

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