055 Se eu conversasse com Deus Iria lhe perguntar: Por que é que sofremos tanto Quando se chega pra cá? Que dívida é essa Que a gente tem que morrer pra pagar? Perguntaria também Como ele é feito Que não dorme, que não come E assim vive satisfeito. Porque é que ele não fez A gente do mesmo jeito? Porque existem uns felizes E outros sofrem tanto? Nascemos do mesmo jeito, Moramos no mesmo canto. Quem foi salgar o choro E acabou salgando o pranto? Temperando o pranto Ao terminar a visita nas Pirâmides de Gizé, a situação era a mes- ma: eu e Francisco com pé sem poder apoiar no chão e sem plano médico. O Francisco iria voltar ao Brasil no dia seguinte, eu ainda tinha mais quase um mês de Egito, depois iria para Líbano, Síria e Índia. Resolvemos pesquisar um local onde tivesse muletas para conseguirmos nos locomover melhor. O lugar mais próximo en- contrado era bem distante, tendo que enfrentar o terrível trânsi- to egípcio, assim como desviar da nossa rota de retorno. Chama- mos um Uber para nos levar. Ficamos uns vinte ou trinta minutos aguardando até ele chegar. Quando entramos no carro, começamos a conversar com ummoto- rista muito comunicativo. Não tardou para falarmos no nosso aci-
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