066 De Volta à Jornada Em uma sexta à tarde embarcamos em um velho ônibus para Dahab. O veículo não tinha nada de confortos: bancos duros que mal dobravam para trás, pernas apertadas e banheiro interdita- do. Não esquecendo ser um trajeto longo, entre nove e onze horas, entrando madrugada adentro. Eu e Alberto estávamos sentados lado a lado, ele na janela, eu no corredor. Minha poltrona, para completar com chave de ouro, tinha um rasgo no acolchoado do forro, sendo desconfortável encostar as costas. As primeiras ho- ras foram bem, tinha pouca gente e consegui mudar de lugar, me acomodando melhor. Não tinha nenhum passageiro ao meu lado, podendo me esparramar bem nos dois lugares. Estava exausto. Há várias noites não dormia direito por preocupa- ções constantes. Agora, com a perspectiva de estar em movimen- to, não mais lá parada e impossibilitado, consegui calma para dor- mir. O ônibus parava toda hora, acontecendo aquele entra e sai de gente no corredor. Estava tão cansado que, salvo algumas vezes, quando abri um pouco os olhos, o resto passei ferrado no sono. Acordei lá pelo fim da tarde, fiquei admirando as paisagens das estradas egípcias pela janela, com diversas paragens desérticas e casas solitárias de barro e teto de palha. Em seguida fui comer uns lanches que havia preparado. Emuma das paradas, desci para uri- nar, assim como para comprar mais algumas coisas para jantar. Estava começando a ficar mais cheio o nosso ônibus, pressentindo que, mais cedo ou mais tarde, eu teria de voltar para meu nefasto banco. Pouco antes de anoitecer, apareceu um russo, com a idade mais avançada, baixo, meio atarracado e calvo. Ele teve o mesmo infor- túnio que eu, pegando um assento miserável. Esse incidente não era difícil acontecer, pelo motivo de pelo menos um quarto dos cô-
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