080 tos de agora. Para mim, a vida nesse momento parecia um caminho cheio de cerração, onde não conseguia projetar nada sólido sobre meu futuro – tanto em relação ao andamento dessa sinuosa viagem, quanto após o retorno aminha cidade. Era tudo bastante nebuloso e, apesar das aflições, depois refleti como tudo isso foi um processo in- teressante para o amadurecimento. O avião furou as nuvens, o trem de pouso foi preparado para aterrissarmos em terras libanesas. Beirute, Líbano Chegamos a Beirute, a capital do Líbano, no fim da manhã. Nos en- caminhamos direto à embaixada brasileira para acertar os últimos detalhes. Em seguida, eu e o Alberto fomos para a casa dos amigos libaneses e a Sheila para a casa da sua amiga porto-riquenha. O Líbano – diferente da grande maioria maometana do Egito – é bem dividido entre cristãos e muçulmanos. Normalmente são divididos por bairros, para evitar conflitos. O pequeno país, de cerca de seis milhões de habitantes, fica espremido entre as con- turbadas nações da Síria, Palestina e Israel. Logo em nossa che- gada, já vimos exército com armas nas ruas, assim como alguns tanques de guerra. Ficamos sabendo que, alguns anos antes de chegarmos, havia acontecido um grande ataque surpresa, com bombardeios aéreos. Os estrangeiros civis tiveram que sair às pressas da capital. Antes de estarmos aqui, quando comentamos com os árabes o des- tino a Beirute, todos sempre mostravam alegria, dizendo ser um lugar de ótimas referências culturais, com exposições, cinema, literatura e arte em geral. Isso acontecia por grande parte dos pa- íses do Oriente Médio estar passando por ditaduras e repressões. O Líbano, no entanto, vinha de um bommomento de liberdade de expressão, criando um imaginário de paraíso artístico.

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