Revista Palavra 11
palavra. sesc. literatura em revista. 2022. Lilia Diniz página 052 Oque será que temna morada do meu ser? Tem alegria engatilhada em explosão Tem o zunzum da abelha a abelhar Tem o cantar do rouxinol lá no portão A portinha aberta do teu riso O docinho do mel do mal-me-quer O retrato pantaneiro de Manoel O assobio encantado de Zabé O meladinho do teu beijo me beijando Teus olhinhos brilhando estrelarmente O bico do beija-flor na flor O romper da pele da semente A nota da Viola enluarada A pergunta primeira da criança O nariz da palhaça encarnado O verde das asas da esperança Tem as dobrinhas do gongo do babaçu O Carcará de João do Vale sertanejo O doce dos tachos de Coralina De Aderaldo os olhos que me vejo O mumuiar do brejinho no SERtão A sofrença dos rios em agonia O pelejar da poeta poetando Ordenhando versos da pandemia Guardados apetrechos coisinhas quinquilharias trecos mimos tesouros miudinhos reluzentes ninharias Nada do rio e de mim quase nada sei além das margens contidas da permanente inconstância e do fluxo eterno a desaguar na imensidão. Ele no mar Eu emmim Poesia Lilia Diniz
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