LUÍS RUBIRA Vitor Ramil – Nascer leva tempo gindo o prêmio de um Disco de Ouro e a tiragem de milhares de cópias. O fato de terem sido alunos do curso de Composição e Regência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (anos depois Kleiton fez Pós-Graduação em Música pela Universidade de Paris VIII) e de cedo terem se profissionalizado como músicos, desempenhou um papel importante na formação do caçula da família: “foram dois professores maravilhosos dentro de casa, em letra e músi- ca (composição e violão)” 13 . Por certo, o caminho aberto pelos irmãos facilitou o percurso de Vitor, mas também trouxe inúmeras dificuldades: Quando entrei num estúdio pela primeira vez, eu já tinha entrado num estúdio com eles, já tinha can- tado naqueles microfones, já sabia como me com- portar naquele ambiente. Quando eu comecei a ir a shows, já tinha ido a shows com eles, visto os bas- tidores. Aquilo, para mim, não era uma novidade. Eu me sentia muito dentro, [como se tivesse] sido preparado para fazer aquilo ali. Ao mesmo tempo, nós tínhamos muitas diferenças, eu e eles. Eu sem- pre fui muito introspectivo, na minha, e os guris, o Kleiton e o Kledir sempre foram muito de “outra praia”, vamos dizer assim, com o grupo Almôn- degas. Logo cedo foram morar no Rio de Janeiro, sempre fizeram um trabalho muito alegre, muito extrovertido. Eu fui encontrando caminhos para fazer a minha música (...), que era bem diferente da deles. Então ajudou muito e por outro lado difi- cultou bastante porque essa coisa de ser irmão [de- les]... só recentemente, depois de muitos anos de carreira, que eu venho deixando de ser o Vitor Ra- mil, vírgula, irmão de Kleiton e Kledir, entendeu? Sempre tem este aposto, assim, junto. Agora, não que isso me incomodasse. Mas é só para ter uma idéia do quanto pesa para quem vai começar uma carreira, e tal. Então tinha o lado bom que era este 13 “Vitor Ramil”, VOX XXI , 2002.
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