8 URBE | # 03/04 | FOBIAS URBANAS Daniel MÜller Caminha no sentido de refletir sobre essa inten- ção que os conecta. Em Santos/SP, exis- te uma proposta que integrou uma série de coletivos de dança e performance, chama-se “100 lugares para dançar” (www.100lugaresparadancar.org) . Esta proposta busca espaços da cidade que tenham uma intensidade singular e ali realizam uma performance única, colo- cando o corpo em contato direto com o ambiente. O projeto funciona reunindo virtualmente 100 vídeos dessas ações. Outra iniciativa que está aconte- cendo em algumas cidades (São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Rio de Janeiro, Londres, Campinas, Belo Horizonte, Uberlândia, entre outras), dessas que se espalham com uma contaminação posi- tiva, atingindo pessoas que se conectam com esse sentido lúdico de redescobrir os patrimônios da cidade, chama-se Aqui bate um coração . A proposta con- siste em identificar e dar nova vida a es- tátuas e bustos localizadas em espaços públicos através da fixação de um cora- ção vermelho e volumoso no peito de cada obra. A iniciativa é livre e faz quem quer, normalmente nesse tipo de ação se aproveita para fazer bons registros. A que aconteceu emPorto Alegre gerou um vídeo bem bacana (http://vimeo. com/44506329) e tem umas quantas fotos legais. Uma outra característica desses projetos são a sua carga alta de aventura, o que é um grande agregador de interesse de quem participa. Buscando novas formas de sen- sação, alguns trabalhos usam o som como ferramenta de afetação em suas cartografias. Da mesma maneira, que- rem redescobrir a cidade, torná-la visi- tável mostrando alguns dos seus ele- mentos ocultos. Assim que um grupo de pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF), coordenado pela professora Simone Sá, está desenvol- vendo o mapa sonoro do Rio de Janeiro (www.uff.br/mapasonoro ). Por meio de pesquisa e entrevistas, o grupo coleta material sonoro que é marcante para cidadãos de determinadas regiões e coloca tudo isso em arquivos digitais, disponíveis ao público. Seguindo essa batida, a dupla Thiago Rangel Pinto e Mariana de Luca criou um aplicativo para mobile que possibilita passeios guiados (walking tours) pela cidade de São Paulo apresentando os seus misté- rios grafitados pelas paredes. Obras de artistas consagrados e outras relíquias aparecem no trajeto, tudo sendo conta- do em detalhes e com o mapa na mão. O nome do projeto se chama Wall.K (http://vimeo.com/36337433) e estava buscando financiamento no Catarse.me. Com tecnologias como QR Codes e Rfid, as possibilidades de mapeamen- to se expandem. O grupo Garoa Hacker, junto comoMemeLAB, criouumapropos- ta que se chama Jandig (www.memelab. com.br/jandig) . Basicamente, trata-se de um ícone autopersonalizável que oferece uma informação para acesso público, basta ter um smartphone e ter baixado o aplicativo. A ideia da proposta é incentivar a sinalização criativa de lo- cais através de imagens associadas que ampliam a percepção do local. Iniciativas assim, de realidade aumentada, já são bastante exploradas, mas têmmuito a se desenvolverem, principalmente quanto à possibilidade de serem realmente fun- cionais para o uso do público. Outra referênciamuito interessan- te é o projeto Map Kibera, uma criação colaborativa de mapeamento lançado em 2009. Realizado em Kibera, um su- búrbio de Nairobi, no Quênia, conside- rado uma das maiores favelas da África, o projeto reuniu jovens que utilizaram plataforma e técnicas de mapeamento de OpenStreetMap para construir uma visualização de seu território e dos pro- blemas nele encontrados. O projeto tem como objetivo empoderar o cidadão para usar recursos tecnológicos como a construção de mapas de sua região para contar histórias e facilitar o processo de
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