30 URBE | # 04/04 | EFEMERIDADES URBANAS a temporalidade ou sem nenhuma cor- respondência das expectativas, com a desqualificação do produto logo após ele ser alcançado, enfim, essas são al- gumas das formas que os produtores e comerciantes prendem o consumidor na constante busca pelo novo. A era do consumo, da tecnologia da informação, vida de consumo, não só levou o indivíduo a desvalorizar o perma- nente, as tradições, a valorizar o relativis- mo, mas produziu, também, uma cultura local ligada, por meio da globalização, à cultura internacional. A arte deixou de se preocupar com o original, passou a mis- turar estilos, hibridizando-se. Dessa for- ma, a cultura deixou de ser um acessório para ganhar dinheiro, para ser a principal atividade. A afirmação vale para o artis- ta, que hoje vive, e bem, da sua arte, e para o Estado. Em países como os Esta- dos Unidos, a participação da cultura na economia é próxima, por exemplo, a da indústria farmacêutica, em posição de destaque. Claro que o cinema abocanha uma fatia grande nesta estatística. O movimento pós-moderno trou- xe a democratização da arte, exemplo disso é a arte urbana. “Nada há a dese- jar para além de uma arte sem preten- sões, sem elevação nem pesquisa, livre e espontânea, à imagem e semelhança da sociedade narcísica e indiferente”, como escreve Lipovetsky (1989, p. 116). O pós-modernismo ou hipermodernis- mo, como prefere o filósofo francês, é um período de expressão para todos e nada melhor do que se expressar nas ruas, na cidade. “Cidade é, sobretudo, materialidade erigida pelo homem, é ação humana sobre a natureza. Cidade é, pois, sociabilidade: comporta atores e relações sociais, personagens, grupos, classes, práticas de interação (...)” (Pesa- vento, 2002, p. 23). A arte entra como um dos canais de comunicabilidade e, como sabemos, ela pode se manifestar de diversas formas. De transgressão a objeto de consumo Por volta de 1980, o ex-policial civil To- niolo começou a pichar seu nome por muros e paredes da cidade de Porto Alegre como “um grito contra a falta de liberdade para se expressar” 2 . Transfor- mado em lenda urbana, Toniolo é con- (...) todas as formas se mudam, decaem, e perecem ou se transformam, todas são efêmeras e caducas, ao passo que a ideia ou substância é sempre viva, verde e eternal. 1 Clarissa Eidelwein e Kellen Lazzari
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