Palco Giratório 2025
022 A circulação nacional O 20º Festival Palco Giratório do Sesc Rio Grande do Sul é o mais longevo dos sete Festivais Palco Giratório que acon- tecem em 2026. Junto dele e dos outros seis festivais — sediados em Pernam- buco, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Pará — acontecem diferentes mostras, circulações intraes- taduais e programações em formatos diversos que irradiam de um mesmo eixo central e, juntas, compõem a tota- lidade do escopo programático do que é o Palco Giratório. O eixo central a que me refiro é a cir- culação nacional, na qual os dezesseis grupos selecionados para esta edição percorrem territórios diversos nas cin- co regiões brasileiras, apresentando suas obras, partilhando seus saberes e estabelecendo conexões com o que é produzido e pensado no âmbito das ar- tes cênicas nesses diferentes contextos territoriais. Operando nas ressonâncias Palco Giratório: curadoria, coletividade e confluências e dissonâncias que as trocas produzi- das por essa circulação despertam em partes tão diversas de um país conti- nental tão múltiplo, os encontros me- diados pelo Sesc entre artistas e públi- cos estabelecem acontecimentos dos quais nenhuma das partes envolvidas sai sem passar por algum tipo de trans- formação. A curadoria do Palco Giratório é o processo no qual representantes dessa multiplicidade de territórios — nessa edição, de vinte e três estados em todas as regiões do país — constroem juntos a circulação nacional. Nesse percurso, o coletivo curatorial, formado por pro- fissionais especializados atuantes em diferentes setores de programação e gestão cultural do Sesc, compõe um pa- norama intencional da produção cêni- ca brasileira. Um recorte específico que reverbera anseios e efervescências de diferentes lugares que ressoam e con- trastam entre si, formando um retrato que reflete, ano após ano, o que as artes cênicas brasileiras podem ser. Pesquisa ativa nos territórios Se for tentar precisar em que mo- mento começa o processo curatorial do Palco Giratório, eu diria que é na pesqui- sa ativa que os curadores realizam nos territórios alcançados pelo escopo de sua atuação. Estruturada de modo em que cada curador é responsável por vol- tar seu olhar para a produção cênica do estado que representa, a curadoria per- mite autonomia na aplicação e experi- mentação de métodos e abordagens de pesquisa e seleção de obras, de acordo com o que seja mais coerente com cada tempo e lugar. A autonomia regional permite que haja espaço para um enraizamento da pesquisa curatorial nos territórios abordados, potencializando o alcance dos olhares para além de barreiras de- limitadas física e socialmente. Desse modo, enxergam-se grupos artísticos que podem, dentre outros fatores, estar em espaços fora de bairros e municípios centrais; não dominar ferramentas ad- ministrativas ou comunicacionais para submeter seu trabalho à apreciação de modo adequado; ou até mesmo não ter consciência dos espaços profissionais que podem ocupar. A possibilidade ge- rada de abertura de canais de diálogo fortalece o olhar crítico dos profissio- nais especializados que atuam na cura- doria, abrindo espaço para inovações sensíveis e atentas. O papel da coordenação curatorial, nesse contexto, é o de estimular essas pesquisas locais e gerir suas confluên- cias. Convidar o coletivo de curadores a contemplar o conjunto formado por elas e a encontrar, juntos, eixos-chave ao re- dor dos quais recortes específicos irão se estruturar. por Leonardo Florentino Especialista em Direção Teatral pela Faculdade CAL de Artes Cênicas e bacharel em Produção Cultural pelo IFRJ Nilópolis. Atua na gestão cultural e curadoria em artes cênicas, com foco em territórios periféricos e descentralizados. É analista de Artes Cênicas no Departamento Nacional do Sesc, onde desenvolve ações de âmbito nacional e coordena os projetos Palco Giratório e Sesc Dramaturgias.
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