Palco Giratório 2025

023 Construção coletiva O processo de construção coletiva da curadoria do Palco Giratório é estru- turado ao redor do encontro, tensiona- mento e confluência de perspectivas. Da pesquisa ativa nos territórios, cada curador seleciona propostas artísticas que serão, posteriormente, submetidas ao coletivo. Essas propostas — que têm foco em obras cênicas, mas também envolvemações formativas e demedia- ção — passam por avaliação individual de cada membro do coletivo curatorial e são, na etapa seguinte, consideradas em conjunto pelos curadores reunidos. Esses momentos de encontro coleti- vo são organizados de modo a poten- cializar as discussões focadas sobre aspectos específicos — estéticos, so- cioculturais etc. —, a fim de identificar possíveis eixos temáticos e recortes sobre os quais a curadoria queira se de- bruçar. Ao fim desse processo extenso, cheio de argumentações, impasses e acordos, a curadoria define, enquanto coletivo, o conjunto de trabalhos ar- tísticos que irão compor a circulação nacional da próxima edição do Palco Giratório. Pensamentos curatoriais coletivos Todos os momentos do processo des- crito são alimentados pela força dinâ- mica do pensamento curatorial de cada profissional envolvido. Pensamento que, como vimos, influencia o coletivo e é por ele influenciado. As reuniões do grupo de curadores servem não apenas para percorrer um caminho que levará a um resultado concreto — um número pré definido de obras cênicas selecionadas para a cir- culação nacional. O percurso possibili- ta, também, a discussão dos métodos, perspectivas e abordagens presentes no próprio percurso. Isso gera um tipo de processo formativo horizontal de de- senvolvimento mútuo, em que também confluem as abordagens que os dife- rentes curadores aplicam em seus ofí- cios. Essas confluências potencializam reflexões e acordos horizontais que re- sultam na formação de um pensamen- to curatorial coletivo — vigente para a curadoria daquela edição da circulação nacional e sempre sujeito a revisões, novos tensionamentos e aprimoramen- tos nas edições futuras. E para quais caminhos esses pensa- mentos curatoriais coletivos têm apon- tado? É presente a compreensão de que um olhar atento e sensível para o que há de mais inovador e relevante na cena con- temporânea é cada vez menos compa- tível com a figura quase arquetípica do curador inacessível de postura intelec- tualmente superior. E que, muitas vezes, o que há de mais urgente e contemporâneo no campo das artes cênicas se dá através de expressões estéticas contracoloniais que destoam muito do que foi constituí- do em nosso imaginário como artes con- temporâneas da cena. Permanecemos atentos, também, ao outro extremo, que é a armadilha de pen- sar que deselitizar nossas programações é oferecer ao público apenas obras que re- produzem formas e códigos estéticos que já lhe são familiares. Compreendemos que reconhecer e celebrar subjetividades outras que não as de uma cultura erudita etnocêntrica passa, em grande parte, por não subestimar nossos públicos ao dedu- zir que eles não tenham interesse em se instigar com aquilo que lhes é estranho. A curadoria do Palco Giratório, em seu extenso escopo e complexidade, é reflexo das necessidades da igualmente comple- xa circulação nacional e de suas ramifi- cações programáticas. Partindo de uma estrutura concreta, o processo curatorial é gerido através de um acolhimento ho- rizontalizado de diferentes perspectivas, o que contribui para um enriquecimento conceitual alimentado por uma diversi- dade real de pensamentos múltiplos. Através dessas confluências, busca- mos tornar os processos que compõem o Palco Giratório coerentes com seu propó- sito central, o de promover o intercâmbio cultural entre os mais diversos territórios brasileiros, por meio das artes cênicas. E é através da composição desses pensamentos curatoriais que se configura, a cada edição, a curadoria do Palco Giratório.

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