Palco Giratório 2025

033 Nas últimas semana de maio e início de julho de 2025, a cidade de Porto Ale- gre tornou-se o ponto de convergência da cena contemporânea brasileira, se- diando o 6º Seminário e o 19º Festival Palco Giratório. Este texto propõe-se a fazer um recorrido pelas ações do Semi- nário e, em diálogo com algumas refle- xões geradas por alguns dos espetácu- los apresentados no Festival, de forma a promover um pensar em devir. Nesse sentido, tomo como referência o texto ‘O Teatro teatra’ do teatrólogo e drama- turgo argentino Maurício Kartun, para traçar um panorama dos encontros e apresentações realizadas, de forma a textualizar a experiência que passamos nestes dias. O texto de Kartun apresenta o teatro como um modo de produzir conheci- mento a partir do e no próprio aconte- cimento. O teatro sabe/ o teatro teatra. A percepção de Kartun localiza o teatro como uma máquina autopoiética, gera- dora de uma epistemologia, um modo de ver, fazer e pensar próprios. Esse pensamento está articulado à noção de autopoiese de Maturana e Varela. Para Maturana e Varela (p.71), uma “máquina autopoiética é uma máquina organiza- da como um sistema de componentes concatenados de tal maneira que pro- duzem que: I) geram os processos (re- lações) como um sistema de processos de produção que os produzem através de suas contínuas interações e trans- formações e II) constituem a máquina como uma unidade no espaço físico.” Consequentemente, nesta perspectiva, o teatro é visto como uma máquina que vai constituindo saberes próprios em cada processo de criação nos quais são rearticulados poeticamente cada tempo presente e no encontro com os espec- tadores. É teatrando que vamos desen- volvendo modos operativos do fazer artístico e neles produzindo modos de pensa-lo. Os processos de ensaio, cria- ção e ensino-aprendizagem são siste- mas viventes e, como tal, transformam suas materialidades em outras formas viventes pela experiência em si. Ao afirmar que o teatro teatra, Kartun nos provoca a refletir sobre quais são os ele- mentos que fazem o teatro teatrar, que são engendrados pela prática, e por ela nomeados, e não determinados por ou- tros campos do conhecimento, ou seja, a cena e sua poética já são, em si, produ- tores de conhecimento. É nessa perspectiva que observo a importância de construção de uma tes- situra entre o Seminário Palco Giratório, as questões ali abordadas e os espetá- culos do Festival Palco Giratório, como modos diversos de fazer-pensar a cena contemporânea em diálogo com as questões do mundo. 6º Seminário Palco Giratório: um espaço de prática-pensamento O 6º Seminário Palco Giratório teceu um panorama vibrante e multifacetado sobre a cena contemporânea, exploran- do temas que ressoam diretamente com o tempo presente e as potências do fazer artístico. As mesas temáticas, ao longo do evento, convergiram para um enten- dimento mais profundo das intersec- ções entre as artes cênicas e as tramas socio-culturais, refletindo acerca de sua complexidade. O Seminário foi organizado pelo SES- C-RS em parceria com o PPGAC - UFRGS sob a coordenação da Profa Dra. Patricia Fagundes, e reuniu artistas, pesquisa- dores, professores, estudantes de gra- duação e pós-graduação para debater temas urgentes da criação, espectação e pedagogia das artes da cena em diá- logo com o seu tempo, constituindo-se como um espaço potente para a troca de ideias e o aprofundamento de questões relevantes para a cena brasileira. Nesta edição, o Seminário contou com a transmissão das mesas ao vivo via streaming, promovendo o acesso ao conhecimento produzido no evento e ampliando significativamente o alcan- ce das discussões, palestras e troca de experiências que tivemos, possibilitan- do que pessoas de outras regiões, que talvez não pudessem se deslocar até Porto Alegre, estivessem conectados conosco. Esta ação enriquece o deba- te, traz novas perspectivas e fortalece a comunidade em torno dos temas que abordaremos e que as reflexões do se- minário reverberem além das paredes da Zona Cultural. Em média tivemos a participação de 200 pessoas acompa- nhando o evento online. Sucesso!! A primeira mesa teve como tema cen- tral a coletividade, comunidade, mundo: só somos se nós, e contou com a minha mediação e as falas provocaticas de So- raya Martins (UNESPAR), Patricia Fa- gundes (UFRGS) e Pablo Sena (Coletivo Âmago/AP) e a performance de As Batu- cas (RS). As participantes lançaram seus olhares pessoais sobre o tema a partir de suas experiências como artistas-pes-

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