Palco Giratório 2025
034 quisadoras, mas também uma mirada prospectiva do tema. Assim sendo, fi- cou evidente a força e a necessidade do trabalho conjunto, da construção de vínculos e afetos e da partilha de expe- riências como motor para a criação ar- tística. Seja na formação de grupos, na ocupação de espaços ou na interação com o público, a dimensão coletiva se apresentou não apenas como um modo de fazer, mas como um valor intrínseco à própria arte. Como não podíamos dei- xar de debater os desafios da produção artística independente diante do capita- lismo, das tecnologias, a diversidade e a representatividade na cena e no pensa- mento sobre a cena. Como bem pergun- tou a crítica Ivana Moura, quem é nós para cada participante? As respostas à questão são múltiplas e depende de vá- rios fatores como seu território, de seus desejos e suas identidades. Nas artes do corpo, coletividade e comunidade/co- munitas são pilares fundamentais que se entrelaçam para criar a experiência artística. A comunidade, ou comunitas, como abordado pelo antropólogo Victor Tur- ner, vai além da simples colaboração. Ela se refere a um estado de união e solidariedade que transcende papéis e hierarquias, um sentimento de perten- cimento e coesão que emerge durante o processo criativo e se estende na re- lação com o público. É nesse espaço de comunitas que a plateia deixa de ser um mero espectador individual e se torna parte de uma experiência compartilha- da, um corpo coletivo que respira e rea- ge junto, um evento social e cultural que fortalece os laços entre os indivíduos, mesmo que provisoriamente. A acessibilidade em cena foi o tema da segunda mesa. Essa mesa, formada por especialistas gaúchos em autodes- crição (Rafael Braz/Leticia Schwarts), língua de sinais/libras (Claúdio Morão) e a performer Estela Laponni (SP) com sua persona Zuleika Brit. Portanto, as discussões trouxeram à tona a impor- tância de pensar a arte para todos, supe- rando barreiras e os modos de garantir a acessibilidade como apoio para uma melhor espectação, mas também, como inserida na poética da obra. Desde a in- clusão de pessoas com deficiência até a criação de linguagens que contemplem diferentes públicos, o seminário refor- çou a urgência de uma cena mais inclu- siva e diversa. A escola como lugar de criação ocu- pou o terceiro dia de encontro e inseriu o debate sobre o papel da escola e de disciplinas vinculadas às artes do cor- po no desenvolvimento de crianças e jo- vens. A mesa contou com as presenças dos professores Dedy Ricardo (RS), Tom Menegaz (MG) e Carlos Modinger (RS) com a mediação de Vera Bertoni (RS), que abordou como o ambiente escolar pode ser um espaço fértil para a expe- rimentação, para a descoberta de novas perspectivas de inserção no mundo an- tirracista e para a formação de novos artistas e públicos. Em outras palavras, as artes na escola não são vistas como uma disciplina isolada, mas como um motor para o desenvolvimento da cria- tividade, do senso crítico e da expres- são individual e coletiva, preparando as futuras gerações para um engajamento mais profundo com a cultura e as ques- tões do seu tempo. As falas evidencia- ram a importância da luta para que o ensino de Artes se mantenha presente em todos os níveis de formação escolar, mesmo diante dos retrocessos que esta- mos vendo nos dias atuais. Ao final das falas dos expositores tivemos a apre- sentação de um esquete dos alunos do Colégio de Aplicação da UFRGS seguida de uma conversa com eles. Nesse diá- logo, ficou evidenciado que o teatro na educação básica é um componente cur- ricular necessário para a formação do cidadão em sua plenitude. O encontro com o teatro para muitos dos estudan- tes, segundo suas falas, foi revelador de si, da sua relação com os outros e com o mundo. As artes do corpo no ambiente escolar tornam-se experiência. Jorge Larossa define o termo expe- riência como, “o que nos pas- sa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, o que aconte- ce, ou o que toca”. Ele conti- nua: “a cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo quasenada nos acontece” (p. 21). Para ele o sujeito moderno encontra-se submer- so no mundo da informação, o excesso de opinião, da falta de tempo e excesso de trabalho. Por outro lado, o sujeito da A coletividade reside na própria natureza do acontecimento cênico: um grupo de artistas colaborando intensamente na criação de uma obra.
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