Palco Giratório 2025
035 experiência se define não por sua ativi- dade, mas por sua passividade, por sua recepção, por sua disponibilidade, por sua abertura. Trata-se [...] de uma pas- sividade feita de paixão, de padecimen- to, de paciência, de atenção, como uma receptividade primeira, como uma dis- ponibilidade fundamental, como uma abertura essencial. (p.24) Neste sentido, este sujeito se expõe à vulnerabilidade e ao risco na construção de seu saber. Para Larrosa, o saber da experiência é aquele que se dá entre o conhecimen- to e a vida humana, ou seja, é o que adquirimos na medida em que respon- demos ao que nos acontece ao longo da vida. De acordo com ele: O saber da experiência tem a ver com a elaboração do sentido ou sem-sentido do que nos acontece, trata-se de um saber finito, ligado à existência de um indivíduo ou de uma comunidade humana particu- lar [...] Por isso, o saber da experiência é um saber particular, subjetivo, relativo, de nós, mas somente tem sentido no modo como configura uma personali- dade, um caráter, uma sensibilidade ou, em definitivo, uma forma humana sin- gular de estar no mundo, que é por sua vez uma ética (um modo de conduzir- -se) e uma estética (um estilo). (p. 27) O que testemunhamos nesta tarde do Seminário é como o fazer-apreciar-es- tudar as artes do corpo de forma prática pode promover experiências duradou- ras na vida de crianças e jovens. Para concluir minha memória deste dia, cito as palavras de Amir Haddad: O teatro salva!! O penúltimo dia do Seminário foi de- dicado ao tema Ocupações e interven- ções da cena: na trama da cidade, mesa essa mediada pela atriz e professora Lu- sam no asfalto e nas calçadas das cida- des brasileiras. Simas iniciou sua fala desmistifican- do a visão muitas vezes pejorativa que se tem da rua, não como um mero es- paço de trânsito ou marginalidade, mas como um território primordial da vida, da criação e da reinvenção. Ele, então, enfatizou que é nas ruas onde se gestam e se perpetuam boa parte das tradições, das festas, das expressões artísticas e das formas de organização social que definem a identidade brasileira. Em sua exposição, mergulhou em exemplos que iam desde as rodas de samba que ecoam nos botecos e esqui- nas, passando pelas manifestações da religiosidade popular, do carnaval e do futebol que transformam o território urbano. Simas destacou a oralidade e a corporeidade como pilares fundamen- tais da cultura de rua, locais onde as histórias são transmitidas, os saberes compartilhados e as memórias coleti- vas construídas e reconstruídas a cada encontro. Um aspecto que destaco de sua pa- lestra foi a análise da rua como um es- paço de insurgência e de resistência, um campo historicamente de disputas. Nessa perspectiva, para Simas, é no em- contingente, pessoal. [...] Osaberdaexperiência é um saber que não pode separar-se do indivíduo concreto emquemencarna. Não está como o saber científico, fora ciene Guedes (SP) que iniciou sua fala traçando um breve histórico das expe- riências que teve com o Teatro da Ver- tigem para abrir a conversa com Eber Marzulo (RS), Bárbara Kariri (CE), Jorge Alencar e Neto Machado (BA), sendo es- ses três últimos artistas participantes também da Programação do Festival Palco Giratório. Nesse contexto, as ex- posições trouxeram à tona a potência da arte como agente transformador do espaço urbano. Seja através de perfor- mances em locais inusitados, de pro- jetos que ressignificam áreas públicas ou de manifestações artísticas que in- teragem diretamente com o cotidiano da cidade. Além disso, a cidade pensa- da também em um campo expandido no qual as áreas verdes e da natureza também são elementos que determinam novosmodos de uso e de existência na ci- dade, e nesta, a arte pode questionar, pro- vocar e redefinir a relação das pessoas com o seu entorno. A cidade, nesse con- texto, deixa de ser apenas um espaço para a cena e se torna parte integrante da obra, convidando os espectadores e os transeuntes à reflexão e à inter-rela- ção com os artistas. A presença de Luis Antonio Simas no último dia do Seminário Palco Gira- tório - e a Aula Aberta no dia seguinte no tradicional boteco do Centro Histó- rico de Porto Alegre - teve como tema Na esquina: a cultura das ruas como ex- periência inventiva, encontro que tive a honra de mediar e mobilizou um grupo maior de participantes presenciais que nos demais dias do Seminário. Conhe- cido por sua erudição acessível e seu olhar profundo sobre as manifestações populares, Simas nos conduziu pelos saberes, rituais e resistências que pul-
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