Palco Giratório 2025

046 A palavra seminário tem origem la- tina e seu significado pode ser ilustrado com o ato de lançar sementes à terra. Centenas de pessoas criadoras, pesqui- sadoras, estudantes, espectadoras ou simplesmente curiosas pelo universo das artes cênicas pisaram a Zona Cultu- ral e o Boteco Paulista – ou simplesmen- te navegaram nas nuvens, no caso das participações on-line – e conseguiram transformar os dois endereços no centro histórico de Porto Alegre em ambientes propícios às semeaduras de opiniões, ideias e sentimentos, não raras vezes em rota de colisão, sem que se perdesse de vista, de escuta, de toque e dos demais sentidos o eixo orientador dos seis dias e noites da jornada assim intitulada: “Comunidade, coletividade – Fazeres da cena nos desafios do tempo”. O presente relato é fruto da expe- riência de acompanhar as discussões e costurá-las à luz das manifestações de empatia e fraternidade testemunhadas O sentido das ideias, a ideia dos sentidos por Valmir Santos Jornalista, crítico, pesquisador e editor do site Teatrojornal – Leituras de Cena (www.teatrojornal.com.br ) durante o 6º Seminário Palco Giratório, realizado entre 26 e 31 de maio de 2025 como parte do 19º Festival Palco Gira- tório Sesc. A ação resultou vigorosa ao contribuir com reflexões sobre como vi- ver juntos na sociedade contemporânea, levando-se em conta aspectos da educa- ção, da cultura e da arte. uma integrante d’As Batucas – Orques- tra Feminina de Bateria e Percussão ao anunciar a intervenção artística logo após a primeira rodada de falas. A frase lapidar sintetizou a qualidade das trocas já na abertura do evento em 26/5, uma segunda-feira, na Zona Cultural, sob o mote “Coletividade, comunidade, mun- do: só somos se nós”. As artistas daquele coletivo fundado há dez anos na capital do Rio Grande do Sul, pela baterista Biba Meira, conduziram um coro de vozes, sem acompanhamento instrumental, em torno de uma canção do povo indí- gena Djeoromitxí/Jaboti, de Rondônia, chamada Tche nane e recolhida por Marlui Miranda, compositora, cantora e pesquisadora de raízes da cultura brasi- leira. A dinâmica somou participação do próprio público que aderiu com ritmo e harmonia. Em sua colaboração na mesa que tra- tou de “teatro fora do eixo, aquilomba- mento, carnaval, arte, política e desejos de futuros renovados”, conforme se leu no material de divulgação, a atriz, crí- tica, pesquisa curadora e professora de teatro Soraya Martins (Universidade Estadual do Paraná) pontuou sobre a multiplicidade das teatralidades e per- formatividades negras. Seu livro Teatra- lidades-aquilombamento: várias formas de pensar-ser-estar emcena e nomundo (Editora Javali, 2023) aprofunda consta- Afinal, “A comunidade também se faz das diferenças” , como disse

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