Palco Giratório 2025
082 eixo a partir do qual pensamos o tempo, o corpo, o território, o festival e o próprio ato de aprender. Os conceitos mobiliza- dos aqui nos convidam a perceber que há outras formas de organização da ex- periência, que escapam às lógicas domi- nantes e que são fundamentais para a produção de mundos possíveis e de uma democracia real. Assim, para além de pensarmos o festival como uma sequên- cia de apresentações ao longo de dias, podemos pensá-lo como uma espiral de encontros e como uma forja coletiva. Cada espetáculo não substitui o anterior, mas o permeia. Cada experiência deixa rastros que se acumulam, se tensionam e se transformam, produzindo uma tra- ma em que diferentes tempos, saberes e territórios se entrelaçam. Talvez seja essa a principal contribuição de um festival como o Palco Giratório para Porto Alegre: a possibilidade de reimaginar os territórios a partir de um movimento que coloca as diferenças em relação, do conflito democrático e da aprendizagem. Um movimento que nos lembra que o território não é apenas onde estamos, mas aquilo que fazemos juntos. E, nesse sentido, pensar o festival a partir das Re- lações Étnico-Raciais não se torna um exercício periférico, mas central. Reco- nhecendo que há outras formas de exis- tir, de criar e de habitar o mundo que his- toricamente foram marginalizadas, mas que seguem pulsando — em espiral, em afrotempos, em forja — nas lacunas do presente e que, ao ganhar visibilidade na cena, não apenas se afirmam: transfor- mam o campo das artes cênicas. Longa vida, Palco Giratório!
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