Botas Batidas

0 4 2 A mão da morte é a última a abandonar o corpo: dentro de todo luto reside asfixiada a incerteza A qualquer momento, ainda que não seja possível definir saber aonde vamos, resta-nos exigir do imagi- nário apenas uma boa companhia. Quem agora? Onde agora? Quando agora? Apesar de tudo, continuaremos. Prometidos de muita satisfação. Desertos. Com a mes- ma gentileza ao alcance. Na tentativa de cancelar o mundo ou sair do lugar, trataremos, por vezes, os dias tempestivos como me- mória de peixe – vagar uma sonambulice tola de nu- vens ralas a cada três segundos. Ummodo sem pressa. Sem pressa. Afinal para que a pressa se nunca sabere- mos o lugar das coisas? Acabam ficando por ali, mas acabam não ficando. O fim é mesmo recorrente e bem- -sucedido sem o qual desesperadamente desistiríamos da linha de partida.

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