Botas Batidas

0 4 3 Dias frios exigem um ato etílico: com a evaporação de um bom vinho chegamos mais perto de nossos limites Em uma noite fria. Levei um bom vinho californiano para ele provar, já que lhe parecia sempre melhor os vinhos de garrafão. Eu não podia fazê-lo sem provocar. Servi em dois copos comuns. Bebeu sem qualquer co- mentário e no segundo gole tornou-se um estrangeiro. Não sei explicar. Percebi a existência de margens que devem ser mantidas. Por mais que aquele rio de vinho passe e torne a repassar. A espontaneidade da conversa foi trocada em amortecidos goles por pensa- mentos jogados pelas bordas. O vinho do garrafão não era melhor. Mas a distância que ele guardava era sa- grada. Conduzia cada um de nós a um lugar diferen- te. Provocativo como as forças de um ímã que a gente tenta aproximar pelas mesmas cargas e quando bem próximas se distanciam. Não sei explicar. Não terminei a garrafa. Mal termi- nei o copo. Preferi admitir que fora uma péssima es- colha. O chá nos parecia mais familiar. Para recuperar minha condição de filho ofereci um chá forte. Bebemos e o caminho de casa foi refeito. . . . Eles chegaram sem aviso. Bêbados. O Joca e o Pola- co. Figuras hilárias. Amigos do pai. Amãe não precisou emitir mais do que uma palavra. Queria matá-los. O Po- laco disse de imediato “vamos para a mansão; a cama da direita é minha”. Fomos eu, o pai, o Joca e o Polaco direto para a casa de Albatroz que o Polaco insistia em dizer que era A Mansão. Para curar o trago dos amigos,

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