116 A arquitetura funerária tem desempenhado, enquanto produto cultural, uma função fundamental e permanente através dos séculos. Esses espaços arquitetônicos, com evidente carga simbólica e significação, têm desafiado os arquitetos desde as primeiras civilizações e sua constru- ção constituía-se muitas vezes nas principais obras, com a participação dos mais habilitados profissionais, onde eram postos em prática alguns dos maiores conhecimentos em técnicas construtivas. A busca coletiva da preservação da memória através de monumentos e lo- cais de sepultamento deixou um legado que se traduz em elementos até hoje impactantes, como as pirâmides egípcias, as grandes tumbas romanas, os sarcófagos etruscos. No decorrer dos séculos, essas representações foram tomando outras formas, à medida que transformações sociais e culturais foram revelando novos enfoques sobre os cemitérios. Nos primórdios do cristianismo, enquanto os pagãos geralmente enterra- vam somente as cinzas de seus mortos, os cristãos sepultavam os corpos, na crença da ressurreição como “despertar dos corpos adormecidos”. Essa crença, aliada à disposição das sepulturas umas sobre as outras nos subter- râneos, à semelhança de um grande dormitório, originou o termo “cemité- rio”, do latim coemiterium , a partir do grego koimeterion , significando “lugar de dormir”. A localização desses espaços também foi passando por muitas mudanças através dos séculos, das catacumbas subterrâneas aos pátios e interior das igrejas, até as situações atuais.

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