117 No início da povoação da península em que se originou Porto Alegre, o pri- meiro cemitério localizava-se nos terrenos da antiga Praça da Harmonia, à beira do Guaíba. Posteriormente, os sepultamentos passaram a ocorrer em local ainda desabitado, no chamado Morro ou Alto da Praia, elevação hoje ocupada pela Praça da Matriz. Após a construção da nova Igreja Matriz em 1773, os sepultamentos deixaram de ser realizados na crista do morro, liberando o local para a praça, e passaram a ser feitos dentro e nos fundos da Matriz, seguindo a tradição católica que valorizava os sepultamentos no chamado solo sagrado. Na virada do século surgiu outro cemitério, nos fundos da recém instala- da Santa Casa de Misericórdia. Mas esses dois locais estavam, já no início do século XIX, cercados pela cidade que se expandia, sem possibilidade de ampliação e com péssimas condições de salubridade, trazendo o temor das epidemias que se alastravam. As questões pragmáticas de saúde pública passavam a se sobrepor aos ritos religiosos e começavam a trazer mudan- ças, como a proibição dos cemitérios dentro das áreas urbanas. A partir de 1842, com a posse do Barão de Caxias como Presidente da Pro- víncia de São Pedro do Rio Grande do Sul, foram intensificadas as melho- rias na então Vila de Porto Alegre, que se adensava, procurando dar uma feição mais adequada a seu papel de capital da Província. Dentre essas melhorias, ruas foram pavimentadas, novas ruas foram aber- tas e construções públicas surgiram. A cidade começava aos poucos a se livrar de seus focos de sujeira e doenças. Um desses focos era o antigo ce- mitério junto à igreja Matriz, e para isso Caxias decidiu acelerar os trâmites
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