131 Podemos dizer que Boni se permitiu ser mais eclético na fachada da Rua José Montaury, que é mais ornamentada e alegórica com predominância dos planos cheios sobre os vazios em que se destaca uma grande arcada flanqueada por robustas falsas pilastras coroadas com capiteis ao estilo jônico. Este grande arco, além de determinar a simetria da composição, concentra boa parte da fenestração da edificação em caixilharia de ma- deira e gradis de ferro. No entablamento que arremata dois terços dos cin- co pavimentos está o letreiro da livraria e no coroamento do edifício em contraponto, uma sequência de janelas configuram um plano envidraçado que confere leveza ao conjunto, mesmo que arrematado nas extremidades por dois grandes nichos decorados com carrancas, réstias e guirlandas florais que ornam com duas esculturas em cada nicho, representando a indústria e a literatura e assim, com o uso de esculturas, revelando o caráter do edifício ao gosto eclético e porto-alegrense. Já a o sul, na outra fachada, que seria a ampliação da parte comercial voltada para a Rua dos Andradas e por estar em uma cota mais elevada, resultando em uma edi- ficação com 4 pavimentos e não 5 como a voltada para ao norte, Armando Boni teria sido menos eclético. Internamente as edificações possuem estruturas metálicas e de concreto que possibilitavam plantas livres o que resulta fortemente na composi- ção da fachada da Rua dos Andradas que, ao contrário da fachada da Rua José Montaury, predominam planos vazios sobre os cheios. A edificação se apresenta quase que como uma cristaleira, onde duas pequenas saca- das se lançam perpendiculares à fachada como se flutuassem no plano de vidros encaixilhados por esguias peças de madeira em que predomina

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