138 A produção arquitetônica, em boa medida, está representada, ao longo dos tempos, por condições impostas por demandas da sociedade. É plausível pensar-se que seus membros, ou parte deles, tendem a “buscar na arte os símbolos da promoção visível”, conforme propõe Fabris 2 , quando refere a atitude de “negação do autêntico” da civilização burguesa do Século XIX: a nova burguesia, constituída por industriais e comerciantes, assu- me perante a arte e a arquitetura a postura da busca do exótico, do histórico enquanto simulacros, posto que o hiperestilo , alicerçado no neoalgo é garantia daquela promoção simbólica, inerente a to- dos os atos da vida cotidiana. As considerações feitas podem ser levadas em conta para explicar a pro- dução que o arquiteto Armando Boni realizou para o Sr. Santo Meneghetti na Av. Cristóvão Colombo esquina Rua Santo Ant ô nio, edifício hoje conhe- cido por Palacinho . Trata-se de residência de maior escala e programa mais complexo. Sua aparência externa em forma de prisma reto e seu espaço interno, em que predomina um grande vazio central, remetem, inegavel- mente, aos palácios da Renascença italiana. Armando Boni projetou o Palacinho seis anos após a casa realizada para sua própria família, na Rua Marquês do Pombal, 1111, a ser referenciada mais adiante. Enquanto esta, de 1922, já apresenta atitudes inovadoras – no uso de ele- 2 FABRIS, Annateresa. O ecletismo à luz do modernismo. In: FABRIS, Annateresa (Org.). Ecletismo na arquitetura brasileira. São Paulo: Nobel, 1987, p.285.
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