139 mentos pré-fabricados e mesmo no tratamento das superfícies externas da edi- ficação – aquele, muito provavelmente, acabou adequando-se ao universo de re- presentação social que o proprietário desejava ostentar. Constantino 3 lembra que o italiano Meneghetti havia trabalhado com comércio de madeiras no interior do Estado e, na época da construção da sua grande residência, era um destacado proprietário de imóveis emPorto Alegre. Sendo assim, o palazzo representava sua condição perante à sociedade. O edifício apresenta tripartição clássica, que orienta a composição constituída de embasamento, corpo e coroamento. O corpo, formado pelos dois pavimentos principais do edifício, tem marcada divisão por conta dos volumes das sacadas do pavimento superior. As aberturas menores da base, de vergas retas, caracteri- zam a existência de um “porão alto” e distanciam sobremaneira os parapeitos do pavimento inferior do nível da rua. Fica preservada a privacidade dosmoradores. Por se tratar de obra inspirada no universo clássico, a simetria passa a ser um artifício compositivo esperado. Todavia, ao se atentar para a fachada da Cristó- vão Colombo, a simetria, de fato, não se estabelece. O equilíbrio da composição, sim, é garantido, considerando um eixo imaginário no centro da porta principal. O espaçamento menor entre as aberturas próximas à outra rua, a Santo Antônio, e a sacada do pavimento superior no plano chanfrado da esquina, são compen- sados pela maior massa de cheios do lado oposto do eixo, determinada por maior distância entre os vãos. A noção de equilíbrio pode ser percebida, igualmente, 3 CONSTANTINO, Núncia Santoro de. O italiano da esquina: imigrantes na sociedade portoalegrense. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Francisca- na, 1991, p.50.

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