027 L’Emiliana , como ficou conhecida a empresa. Lembro da nonna contar que sua sala tinha divisórias de madeira com esquadrias de vidro, através das quais podia observar o escritório dos engenheiros da empresa. E foi assim que os dois se conheceram. Naquela época, talvez pela vida economicamente difícil e insegura que levava na Itália 6 quando já se ensaiava a primeira guerra mundial, mas também por seu espírito aventureiro e forte curiosidade em conhecer no- vas culturas, meu avô começou a pensar em emigrar. Avaliou que, com o conhecimento que tinha e a experiência acumulada nos seus anos tra- balhando como engenheiro na Emiliana, talvez pudesse melhorar seu de- sempenho profissional e seus ganhos em outro país que oferecesse mais oportunidades com melhores ofertas de trabalho. Ouvi em família que ele estudava alternativas para mudar-se para o Japão quando, por dessas coincidências que não se explicam, foi apresentado ao agrônomo portoa- legrense Carlos Danton Seixas 7 , que estava vivendo em Parma para es- tudos de aprimoramento profissional na área da veterinária. E naqueles dias, o dr. Danton, como depois ficou conhecido por nós, estava se organi- zando para voltar ao Brasil para casar-se. Acredito que não precisou muita conversa para convencer seu novo amigo a mudar seus planos ‘orientais’ 6 A unificação tardia da Itália (1871), com guerras bastante longas e herança de graves pro- blemas econômicos, políticos e sociais, acabaram gerando uma difícil integração entre o norte e o sul do novo país, com muita migração do campo para a cidade e altos índices de desemprego e pobreza. 7 Dr. Carlos Danton Seixas publicou um livro intitulado “Memorias de um precursor” do qual foram retirados alguns trechos aqui incluídos e identificados com suas iniciais (CDS).
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