026 Em fevereiro de 1901, de acordo com informações do Censo Geral da Popu- lação da Itália, a família já tinha se mudado para Parma 5 . E foi nesta cidade que nasceram Anna e Bianca, as filhas mais jovens do casal Nannetti Boni. Enquanto isso, Pierino e Ernesto cursavam a escola elementar e Armando, já com 15 anos, seguia em um nível mais avançado. Ao completar seus estudos, meu avô começou a trabalhar na Società Emi- liana di Esercizi Elettrici , fundada em 1906 para produzir e distribuir ener- gia elétrica na região da Emilia, especialmente para as cidades de Parma, Reggio Emilia, Piacenza e Modena. Nesta empresa, conheceu aquela que viria a ser sua esposa, Giuditta Barbara Lupi, que ali trabalhava como da- tilógrafa, apesar de, como ela se divertia contando anos depois, não ter a menor ideia de como funcionava o equipamento básico para o bom desem- penho de suas tarefas, a máquina de escrever. Ambos devem ter sido dos primeiros funcionários dessa companhia pois, numa de suas cartas para Giuditta, escrita em Porto Alegre e datada de 12 de setembro de 1911, Arman- do destacou: não são quinze dias que nos conhecemos, são quase cinco anos, lembras? Então, se a carta foi escrita em 1911 e eles se conheciam há quase cinco anos, esse encontro aconteceu em torno de 1906, ano de fundação de 5 Cidade do norte da Itália, Parma foi fundada por etruscos, tornou-se colônia romana, caiu em domínio dos francos, pertenceu aos Estados Papais, transformou-se em Ducado com Maria Luiza Bonaparte, combateu as milícias fascistas e, com apoio da Força Expedicio- nária Brasileira, libertou-se da ocupação alemã. Desde os finais do século XIX, já era uma cidade com 70 mil habitantes, com larga e rica história cultural. Além do Teatro Reggio, da Galeria Farnese, da imponente catedral românica junto ao não menos imponente ba- tistério, Parma também sedia uma das mais antigas universidades públicas do mundo.
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