030 aceitar aquele grande desafio 8 : deixou todo seu mundo conhecido e que- rido em Parma – sua família, seus amigos e sua namorada Giuditta – e seguiu de trem na direção de Gênova, o porto mais próximo para continuar sua viagem para o Brasil. Na bagagem, carregava roupas, afetos, memórias, livros, cadernos de estudos, manuais e equipamentos, que julgava seriam necessários para estabelecer-se como profissional: réguas, esquadros, com- passos, trenas. Até um teodolito de bronze da marca Salmoiraghi, fabricado em Milão. E, no dia 20 de julho de 1910 9 , em Gênova, embarcou no vapor Rè Umberto I. O destino era uma vida nova numa terra totalmente estranha, que aca- bou adotando como sua 10 . A amizade com o agrônomo brasileiro ajudou-lhe também no aprendizado do novo idioma, necessidade praticamente ime- diata, visto que estava nos seus planos tornar-se professor da Escola de En- genharia logo ao chegar a Porto Alegre. 8 Certamente, com aquela pouca idade, tinha imensas dúvidas em deixar seu país. Será que valeria a pena essa decisão? E quando voltarei? Quando? Como posso dizer? Talvez quando regressar encontrarei tudo mudado, muitas caras novas desconhecidas que me farão experi- mentar a impressão de ter me transformado num estranho, minha mãe e meu pai que deixei jovens, estarão envelhecidos, os meus irmãos que deixei meninos serão homens, as minhas irmãs que deixei pequenas talvez não me reconhecerão mais e me olharão tímidas e descon- fortáveis como quando se olha um intruso. (AB, 10/07/1911) 9 A data de sua partida da Itália rumo ao Brasil é confirmada numa de suas cartas escritas de Porto Alegre: Hoje completei o meu vigésimo quinto aniversário. Um quarto de século! E em dez dias faz um ano que parti. (AB, 10/07/1911) 10 Em 27 de setembro de 1945, naturalizou-se e foi declarado cidadão brasileiro.

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