031 Assim como a decisão em deixar a Itália e toda a sua vida para trás, a longa travessia do Atlântico também foi, para ele, bastante penosa. Algum tem- po depois de sua chegada ao Brasil, numa das cartas, escrita em Garibaldi, Armando conseguiu relatar seu profundo sofrimento, advindo talvez das incertezas do que encontraria pela frente. Por que não tinha ficado em Par- ma? Ou, pelo menos, na Itália? Ou até em qualquer outro país da Europa, num mundo mais seu conhecido? Lembro sempre que passava noites insones contemplando as on- das fosforescentes e pensando como seria bom me deixar escorrer docemente até o fundo daquela água imóvel, deixando atrás de mim uma longa faixa luminosa até encontrar o repouso eterno. Quem po- deria desejar passar uma vida como esta minha, sem esperança que qualquer coisa venha a modificá-la? O que posso esperar da vida? Por mais que busco olhar o futuro, não vejo nada além de uma escuri- dão assustadora. Não é melhor terminar com tudo isso e rápido? (AB, 21/11/1910) Finda a grande travessia atlântica, os dois amigos apenas olharam do navio as maravilhas do Rio de Janeiro, que era, à época, a grande capital do país, já com avenidas largas, um novo porto e palacetes que lembravam a Europa. Mas como certamente seriam muitos dias perdidos para conhecer a cidade e o objetivo do brasileiro era chegar a Porto Alegre o quanto antes para seu ca- samento, seguiram viagem. Só desembarcaram na escala seguinte, Santos que, mesmo já sendo uma importante cidade portuária, era bem mais aca- nhada em atrativos. Prosseguindo com as lembranças do dr. Danton:

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=