032 O Itapuca, navio da Cia. Costeira 11 no qual devíamos prosseguir para Porto Alegre, passaria em Santos dentro de dois dias. Aproveitamos o tempo para conhecer a cidade, que retalhamos em todas as direções. Entrementes, minguavam nossas apoucadas economias. Chegado o momento de embarcar, surgiu um impasse quase insuperável: não dis- púnhamos senão de importância que pouco ultrapassava o montante de ‘uma’ passagem de primeira classe! Aquele vapor dispunha de ex- celentes instalações apenas para a primeira classe. Viajavam na se- gunda, acidentalmente, os miseráveis que precisavam se trasladar à míngua de recursos, no porão, em promiscuidade com os marujos e nas mais precárias condições. Não podendo adquirir duas passagens de primeira e desejando evitar a segunda classe, como resolver nosso problema? Acudiu-me ao cérebro a solução salvadora: deixava no hotel o meu companheiro e prosseguia sozinho, enviando-lhe quando che- gasse, telegraficamente, os recursos necessários para sua vinda. Foi o que fiz, depois de combinar com o hoteleiro, a fim de evitar ao dr. Boni, possíveis dissabores. (CDS) Nessas suas Memórias de um Precursor , o dr. Seixas não deixou claro se cumpriu a palavra empenhada ao amigo. Mas, seguindo seu texto, lê-se que, já em preparativos para retornar para a Itália, 11 A “Companhia Nacional de Navegação Costeira”, também conhecida apenas como “Costei- ra”, foi fundada por imigrantes portugueses em 1882 e fez o transporte naval de passageiros e de mercadorias pela costa brasileira de Manaus a Porto Alegre até 1965. Ficou famosa por identificar todos os seus navios com nomes em tupi-guarani, sempre com palavras inicia- das pelas sílabas ‘Ita’ (Itapuca, Itaquera, Itapema, Itajubá, Itapagé, etc.). Esse termo imortali- zou-se na canção de Dorival Caymmi: “Peguei um Ita no Norte”, composta nos anos 1940.
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